unjob



Domingo, Setembro 28, 2008


Eles passarão, eu…
Estou numa fase inusitada da vida neste momento. Tornei-me, meio que por acaso, professor. Sim, professor! Leciono Educação Ambiental & Artes a alunos de 5ª a 8ª série numa conceituada escola da cidade. Some a isso o estágio que faço no Parque Natural e as atividades da reta (semi) final da faculdade e encontre uma pessoa escassa de tempo para todo o resto (mas pra algumas sempre damos um jeitinho, certo?).
E por isso coisas prazerosas porém menos lucrativas, digamos, acabam ficando de lado. Caso esse do meu, do seu, do nosso querido unjob.
Prefiro postar algo que julgo valer realmente a pena, demorando o que necessário for, do que meramente encher lingüiça. Agradeço aos (des)ocupados que por aqui passam sedentos por novidades unjobianas, mas a vida tem dessas. Seguimos em frente, meus caros.
Aula com a turminha da sexta-série. Como sempre, imploram por brincar na quadra de areia, navegar na internet ou divertir na sala de jogos.
Fiz uma atividade com eles, onde construímos terráreos, experiência onde é simulado a maneira como a vida manifesta-se no planeta. Embora não precise de manutenção, a idéia é, periodicamente, bisbilhotar para ver o que tem acontecido. Se as sementes já germinaram, se as plantas estão com flor, se o grilo ainda pula ou se a aranha papou os “bichinho do créu” (dá pra supor porque assim foram batizados?).
Esse nome inusitado, aliás, saiu da cabeça do Biel e da Jennifer, ambos da 5ª série.
Dei a bola há alguns alunos mas disse que ia descer até o Centro Cultural acompanhar o desenvolvimento da atividade e após, fazer uma aula ao pé da colossal figueira, que nos brinda ilustrando este post.
Usei de toda minha psicologia de boutique para convencê-los a troca do prazer momentâneo pelo conhecimento perene, dizendo que bola é sempre aquilo lá que a gente já sabe: um monte de gente correndo atrás dela e, quando finalmente alcança, dá um chutão pra bem longe e continua na busca desenfreada atrás da redondinha! Vai entender...
Já a aula seria algo novo, diferente de tudo o que já haviam aprendido. Quem quisesse me acompanhar seria muito bem vindo! Mas os deixo livres, exatamente como devem ser as coisas dessa vida. Com erros e acertos, cada um acaba encontrando o seu caminho.
Pra minha grata surpresa, muitos dos alunos deixaram as brincadeiras de lado e me acompanharam.
Vimos que os terráreos estão indo bem, obrigado. O grilo, embora sem vegetação, ainda pula. Os bichinhos danados continuando só no créu level 5 com ajuda do DJ – haja disposição! andando de lá pra cá unidos pelas partes baixas. O legal é que cada um dos terráreos torna-se uma experiência única, e temos aprendido muito a respeito de como funciona o equilíbrio do ecossistema do nosso planeta.
Após sentamos na sombra fresca da acolhedora figueira, que de acordo com meus conhecimentos deve ter já seus...hã...quase século de vida! – e iniciamos a aula.
Tudo corria bem, até que, do nada, saem gritando o Daniel e o João de trás da árvore:
- Fêssor! Fêssor! O Natan pegou um bicho na mão!
- Bicho na mão? Comassim? – assustei.
- É, olha só!
Chega o Natan e, abrindo as mãos, mostra o que havia encontrado: um filhote de rolinha. Estava ferida, tadinha, sem as penas das costas, parte da asa e do rabo.
- Ai ai ai conheço esta história! – pensei.
Na ânsia por fazer algo, começou o alvoroço:
- Deixa eu levar ele pra casa, fêssor, deixa? por favor? – suplicou a Kattilin.
- Meu pai tem passarinho! Deixa eu levar? Deixa? – disse a Sabrina.
- Bota ela na panela! – sarrou o Daniel.
Diante de tantas intenções nobres e singelas idéias a respeito do que fazer com nossa amiguinha, fizemos uma reunião, em roda, sentados no chão, para discutir o que melhor deveria ser feito.
Ficou de cuidarmos dela, de alguma forma. Soltar era uma opção sim. Porém sabíamos que na natureza, com seu processo de seleção natural, onde só os mais fortes sobrevivem, Notails não tinha chance alguma.
Sim, este foi o nome que demos a ela (vencendo “Sasá” e “Clotél”). E tem profundo significado também, pensa um pôco.
Decidimos, portanto, que se o destino dela cruzou com o dos alunos ali presentes, criamos involuntariamente um vínculo e consequentemente responsabilidade sobre sua situação, cabendo a nós fazer o que fosse possível para salvar sua vida.
Contamos com uma aliada inusitada pra isso: Talita, que é professora de Recreação na escola, abraçou a causa e agilizou um esquema, ligou pra mamãe pedindo autorização para levar Notails pra casa e colocar na gaiola que estava vaga, deixada por óbito recente de um pássaro qualquer.
Confesso que isso me preocupou um pouco (deixar um pássaro engaiolado morrer, como assim???), mas diante das escassas opções (refresque a memória) foi a melhor opção.
Talita a trouxe de volta no dia seguinte e constatei que ela está bem. Embora faminta, já que não foi alimentada como devia... né Talita?
Fez sua parte, nobre guria! e agora cabe a cada um de nós fazer o que se deve!
Já faz um tempo isso, e Notails acabou virando nossa mascote. Faz parte da aula e da turma. A alimentamos, damos de beber e a levamos pra passear. Tá espertinha e ligêra, precisa ver só!
Duro é Zorél, professor de História e Geografia, espalhando por aí que ao abrir a porta da monitoria deu de cara comigo dando de beber a bichinha, acrescentando a informação (desnecessária, diga-se) deu estar fazendo biquinho, com a rola na boca e espumando baba pelos lados.
Que lamentável...

João - 11:47 AM

diz aí:

Terça-feira, Agosto 12, 2008


Conhecimento e Incerteza
Certa vez apresentava um seminário na Universidade com o tema “Conhecimento e Incerteza”, que vem de encontro à frase de Platão “tudo o que sei é que nada sei”.
Ou seria Sócrates?
Divaguei bastante sobre o assunto, como não poderia deixar de ser. É tão difícil a palavra ser tua, e quando a conseguimos, geralmente não aproveitamos a oportunidade de expor aquilo que realmente pensamos, por prudência mundana.
Foi pensando nisso que tentei aproveitar o espaço dado da melhor maneira possível.
Em meio ao seminário, várias palavras nobres e dignas de uma discussão mais aprofundada deram o ar da graça: Beatles, Jerry Lee Lewis e o Professor Aloprado, Steven Spielberg e seu Parque dos Dinossauros.
Sei que tem mais alguns, mas a minha memória não anda muito boa.
Uma das questões em pauta era sobre os malefícios do cigarro, descobertos recentemente.
Citei o exemplo da propaganda da Marlboro onde, se você já esqueceu, o cowboy sobre o cavalo galopava por uma paisagem inóspita, porém bela e de espírito aventureiro.
Morreu de câncer, o coitado.
Ao dar o exemplo, reproduzi – involuntariamente - a clássica cena onde ele parava, olhava o horizonte e dava uma tragada profunda e cheia de charme, ao mesmo tempo em que ouvia-se ao fundo a célebre frase:
VENHA PARA O MUNDO DE MARLBORO!
Enquanto eu fazia o movimento da ida e vinda do cigarro até a boca, com o olhar perdido no vazio (como se estivesse vendo as montanhas), alguém da sala fez um barulho reproduzindo uma tragada, acompanhada de duas tossidinhas:
- SHHHHHHHHHHUP!...COF! COF!
Já reparou como sempre tem um engraçadinho que faz isso? é incrível! Mas fiz a política da boa vizinhança, fingi que nada aconteceu e segui em frente.
Passou, minha apresentação terminara e voltei a sentar junto ao resto da classe para assistir as outras mais que viriam na seqüência. Foi eu encostar a bunda na cadeira e acomodar-me, o Guga – que sentado estava na fileira da frente – vira-se e, colocando a mão para abafar a voz, diz, um tanto exaltado:
- Cara o que foi aquilo que você fez?
- Eu? O quê?
- O movimento do cara fumando o cigarro!
- E dae?
- Velho, quem fuma cigarro fuma assim (e fez o movimento, onde o dito encontrava-se, supostamente, entre o indicador e o médio) e não assim (fez novamente uma mímica ilustrativa, mas agora o cigarro encontrava-se entre as extremidades do indicador e dedão, movimento esse que realmente, se não me falhe a memória, fora o que eu havia feito.)
E continuou:
- O que se fuma assim é maconha!
- Cara, que pála velho! Pára com isso! Será que mais alguém percebeu?
- Sei não. Você fuma?
- Hã...eu não...
Lembra da tossidinha irônica? Pois é, Guga fez de novo e virou pra frente, balançando a cabeça e rinnnnnnnndo feito o diabo.
Tudo culpa de como seguro o maldito cigarro...
Gígio da Lia é cronista e caretão
João - 4:56 PM

diz aí:

Segunda-feira, Julho 28, 2008


Educação Ambiental
Quem bate? É o friiiio!
Entramos oficialmente no inverno. Hora de resgatar do armário as roupas que há tempos lá estão e renovar o figurino. Porém, alguns cuidados devem ser tomados nesta fria e seca época do ano.
Com a mudança brusca da temperatura, ocorre um fenômeno chamado inversão térmica. Explico: a camada de ar fria, por ser mais pesada, desce e permanece na região próxima a superfície terrestre. O ar quente, mais leve que o ar frio, fica numa camada superior. Assim sendo, todos os poluentes emitidos à atmosfera não conseguem se dispersar no ar, ficando retido nessa camada de ar fria, próxima à superfície e, consequentemente, de nossos narizes.
É esse ar poluído, viciado, que inalamos. Por isso nesta época do ano os índices de doenças respiratórias disparam, pela combinação da poluição com o ar seco pela falta de chuvas.
Você já reparou que após uma noite inteira de fina chuva, com o Sol surgindo impávido pela manhã, o céu parece estar “mais azul”? Isso porque a chuva retira os poluentes do ar, tornando-o mais limpo.
Como as chuvas são menos constantes no inverno, esse problema é agravado.
Por incrível que pareça, em algumas cidades, os poluentes que ficam retidos no ar são visíveis. Podemos observar no horizonte, a olho nu, uma camada de cor cinza formada pela poluição que, como já sabemos, são oriundos dos combustíveis dos automóveis, indústrias e, particularmente nesta época seca, pelas queimadas!
Este fenômeno afeta diretamente a saúde das pessoas, principalmente crianças e idosos, provocando doenças respiratórias, cansaço, irritação nos olhos, etc. Pessoas que possuem doenças como bronquite e asma tem seus problemas agravados.
E o que nós, como cidadãos, podemos fazer a respeito?
Primeiramente, aquilo tudo que já cansamos de debater; diminuir o uso do carro, ceder ou aceitar carona, optar pelo transporte público e, duma forma prazerosa, saudável e sem danos ao meio ambiente, usar a bicicleta!
Como cidadãos, evite as queimadas. Tome muito cuidado onde joga a bituca do cigarro, não solte balões e em hipótese alguma ateie fogo em lixo ou terrenos baldios. Se avistar alguém fazendo isso, denuncie! Queimada é crime, e somos todos afetados por esse ato inconseqüente, já que a fumaça não fica restrita ao local onde é emitida.
Vale algumas dicas: espalhe algumas bacias com água pela casa para que elas umedeçam o ar. Cobre a solução de problemas dos poderes públicos, são eles que estão diretamente ligados à adoção de políticas ambientais eficientes que visem diminuir o nível de poluição do ar nos grandes centros urbanos. Aproveitando as eminentes eleições, converse com seu candidato e avalie quais são seus projetos para amenizar os efeitos noviços em relação ao meio ambiente.
E cobre depois, para que suas palavras não se percam ao vento.

João Paulo é estudante do segundo ano em Gestão Ambiental na Uniso em Sorocaba.
Apesar de corinthiano, torce pelo verde.

João - 8:29 PM

diz aí:

Segunda-feira, Julho 07, 2008


e o vencedor é (thãm-thãm-thãm-thãmmmm)
O CIEE (Centro de Integração Escola-Empresa) promoveu um concurso nacional de redação com o tema: Sem ética pode haver desenvolvimento?
Enviei a minha para concorrer, já saiu o resultado:

"Tema: Sem ética pode haver desenvolvimento?
O homem é o único ser vivo da Terra dotado da consciência.
Consciência é a capacidade de pensar e refletir sobre aquilo que não pode ser compreendido de outra forma, a não ser pela análise póstuma.
A consciência é, em suma, o fascínio que exerce os mistérios do Universo sobre a mente humana.
Assim, por ter sido o homem o único agraciado por ela na Terra tornou-se ele, aclamado, onipotente – e em decorrência disso, prepotente.
Não teme a nada, pois não há o que temer. Não tem predadores naturais e é capaz de se alimentar dos demais. Usufrui de todos os recursos naturais espalhados pelo planeta e achava, até bem pouco tempo atrás, que eles eram inesgotáveis.
A evolução do conhecimento permitiu perceber, porém, o quanto essa idéia é equivocada.
Sendo o ser humano o único dotado da razão - e por isso mesmo -, dever-se-ia ser exigido deste um peso maior e uma responsabilidade única, desconhecida dos demais seres que habitam este planeta.
Sua natureza questionadora jamais será saciada. A cada resposta encontrada, milhões de novas questões brotam dessa recém descoberta fonte, fazendo do homem ser consciente da própria ignorância ao perceber que quanto mais sabe acerca dos mistérios do Universo, ainda mais terá a saber.
Tudo o que hoje é sabido, todas as descobertas e avanços em todas as faces do conhecimento são frutos de pequenos lampejos, ínfimas partículas de idéias que foram estimuladas pela criatividade e curiosidade humana ao longo do tempo.
Como imaginar, por exemplo, que a retirada de madeiras de imensas e aparentemente inextinguíveis florestas para a fabricação de tintas, construção de casas, móveis, dormentes, etc., poderia algumas décadas depois alterar o equilíbrio climático do planeta? Que hoje é tão amplamente conhecido e divulgado por estudiosos e pelos meios de comunicação?
Ou ainda que o esgoto jogado aos rios fosse, um dia, contaminar os alimentos e voltasse para as casas pelas torneiras que as abastece?
O progresso e o desenvolvimento são contínuos. Hoje não é mais possível imaginar viver sem seus tentadores caprichos. Ao contrário, quanto mais invenções surgirem para facilitar o dia a dia, melhor.
Acostumados de tal forma a lidar com tudo à partir dum botão, a satisfação das necessidades torna-se cada vez mais prática e, de certa forma, mágica! Quando seria imaginável que um dia nem mais seria preciso levantar da cadeira para alimentar, entreter, trabalhar e relacionar-se com as outras pessoas?
O mundo mudou e essa mudança é constante.
Em contrapartida, é privado o homem de preocupações sacramentadas inferiores pela equivocada certeza de que elas não o atingem.
Tão próximos de tudo e ao mesmo tempo tão distantes daquilo o que é real.
Talvez não tivesse chegado a este ponto se a razão humana não cobrasse o alto preço de cegar quase completamente a capacidade de estimar e sensibilizar-se com algo que não seja o próprio umbigo e prazer.
O homem, seduzido pelo poder que lhe foi exclusivamente dado, tornou-se também solitário em seu trono. A coroa agora pesa, sufoca e envenena o discernimento correto das coisas ao redor, fazendo dos passos errados combustível para a continuidade desse ciclo pernicioso que envolve os dias atuais.
Se ao derrubar uma árvore, lá nos primórdios do desenvolvimento, tivesse o homem tido compaixão pelo ninho de pássaro que lá havia e, com a convicção plena do quanto isto é nefasto e degradante, hoje seriam eles inteligentes e evoluídos de forma harmoniosa com as necessidades da própria alma e Universo. Certamente outras formas de desenvolvimento menos nocivas ao meio ambiente teriam sido descobertas e não seriam os homens seres permanentemente em conflito entre saciar sua infinda necessidade material (desenvolvimento) e aquilo que habita o âmago humano, o propósito de sua existência (ética), fazendo dos homens seres errantes que com toda sua sabedoria e inteligência faz o que gosta, mas é incapaz de gostar daquilo que faz."

E foi assim, com essa idéia, que fui desclassificado.
João - 4:28 PM

diz aí:

Terça-feira, Junho 03, 2008


vou acordar para o tempo...
Quando sentei na escadaria da Catedral da praça, o relógio marcava exatos 15:40. Apoiei o rosto numa das mãos, descansando da longa caminhada que fizera. De forma osmótica, quase transcendental, reparei num senhor que vendia bilhetes do bicho, após vários momentos de invisibilidade, fechar duas apostas. Ao longe, um rapaz com capacete cinza e uniforme de mesma cor carregava uma escada e lentamente sumiu em meio à multidão. Uma senhora ao meu lado, ante ao degrau, ajoelhou-se e fez o sinal, balbuciou algo, beijou as mãos e levantou, seguindo viagem. Um grupo de estudantes passou falando alto e rindo, contando peripécias escolares. Ao longe ouvi um martelo renitente com batidas agudas em intervalos iguais, quebrava algo. Um caminhão da prefeitura passou, parou e recolheu algumas cascas das palmeiras que estavam pelo chão. Um casal, encostado na banca de jornal, se amava com avidez e ternura. A mãe passava com uma criança de colo, que me fitou os inocentes olhos em cumplicidade até desaparecer pra sempre no horizonte do lado esquerdo. De lá pra cá acompanhei uma bela moça, tinha tatuagem de borboleta pouco acima da virilha, e nas costas apenas o suficiente e sedutor rebolar, sumiu ao lado oposto. O barulho agudo continuava, agora mais espaçado no tempo, os risos aumentaram e um choro também neste momento participava da sinfonia, manha de criança ao longe. Saindo da igreja um senhor bem vestido afagava o neto, falavam sobre o cachorro de estimação doente. A amiga em confidência contava a gravidez, pensou no aborto. Um bêbado incomodava quem perto passava e ria da reação alheia. O pastor agora grita também, aleluias e améns, tão aquém...deus, daquilo que quero ouvir. Uma branca e bela garota pára em frente a igreja, levanta os óculos escuros e revela seus lindos e importados olhos azuis, que espantados pela arquitetura da igreja, exclama: “Uau, it´s so nice!”. Maritacas passam ao alto numa ensurdecedora cantoria. Ninguém as vê. Suponho nem as ouve. Acompanho até sumirem na imensidão do céu, e só pouso meus olhos ao chão após acompanhar uma folha lentamente se desprender do ypê e bailar, vagarosamente, até o singelo pouso no piso orvalhado. O Sol queima meu rosto, surge impávido entre o nublo. Uma sensação boa penetra os poros, divina e do peso das costas alivia. Uma prostituta discute com um, acerta com outro, e saem a vadiar. Ouço, alto, voz, alguém, passa a pouco metros falando ao celular, confirma o valor da compra. Um senhor senta no banco da praça, cruza as pernas, abre o jornal e se concentra, alheio. Duas crianças correm desordenadamente espantando as pombas, no tempo onde a diversão não tinha complicação. Um bebê no colo da tia aponta o primeiro santo esculpido na arquitetura do templo sagrado:
- Esse é São Marcos – diz.
Aponta o segundo.
- Esse é São Mateus.
A criança aponta para o terceiro.
- São Lucas – responde comodamente a tia.
E então a criança aponta para o último dos santos:
- E esse é São João!
Plim!
Pisco e acordo do imerso alternativo universo. A vejo, estranhamente, como deve ser. Reparo ao redor, nenhum outro rosto conhecido. Levanto e vou embora.
Olho as horas, 15:43.
João - 5:38 PM

diz aí:

Domingo, Maio 04, 2008


Bee Happening
Não sou uma pessoa supersticiosa.
E isso, aos mais radicais (lê-se “chatos”) digo que nada tem a ver com a fé, ou em estar atento aos sinais que nos dá o Universo - coisa que procuro observar e tento interpretar da melhor maneira. Mas previsões futurísticas, cartas, tarô, lê-se mão, pé e cabelo, que nos chega em forma de panfletos, correntes virtuais ou gritos na multidão nunca me chamaram a atenção. Promessas de resolver qualquer espécie de problema alheio assim, num piscar de olhos, nunca despertaram em mim qualquer curiosidade ou mesmo, credibilidade.
E isso não quer dizer que não funcionem, ou que não existam forças que escolhem maneiras peculiares de se manifestar. E nem é esse o tema do post.
É mais uma “coincidência” (palavra até hoje maltratada e infundada em seu significado) que compartilho.
A natureza é sábia. E ela é o maior exemplo do quão o intuitivo é importante e determina algumas regras necessárias para a possibilidade de vida na Terra.
O homem, ao adquirir a capacidade de pensar, perdeu muito do instinto, do intuitivo, ficando cego para algumas coisas que estão (estavam?) bem debaixo do seu nariz.
Sufocou-se o que para alguns é conhecido como o “sexto sentido”, a percepção sensorial de algo maior e fora da compreensão racional humana.
Não tá entendendo bulhufas? Vamos a alguns exemplos: Quando o Tsunami assolou parte da Ásia, a maioria dos sobreviventes foram os “nativos” do lugar.
Sabe porquê? Os elefantes, do nada, agitaram-se e fugiram para locais altos e distantes da praia.
Os nativos, que ainda mantém forte vínculo com a natureza, percebendo a movimentação suspeita dos maiores mamíferos terrestres, não pensaram duas vezes e deram no pé!
Em filmes é comum vermos os guerreiros em seus cavalos cavalgando quando, de repente, os animais agitam-se e saem em disparada, declarando o iminente perigo.
O trailer do filme “O Dia Depois de Amanhã”, do diretor catástrofe Roland Emmerick, é um exemplo interessante. O trailer, infestado de efeitos, me pareceu apenas “mais um” e não fomentou a ínfima vontade de fazer-me sair de casa, pagar e assisti-lo.
Até uma cena, onde as pessoas andam pelas ruas e logo acima a câmera mostra um número absurdo de pássaros cortando os céus, migrando, anômalo, despertando a curiosidade nos transeuntes – e causando calafrios neste que vos escreve.
É o sinal indubitável de que algo está fora do lugar, e não há a menor possibilidade dele ser considerado superstição de alguém ou de alguma crença. É a natureza, o instinto de sobrevivência dos (outros) seres deste planeta em manifesto.
E nisso, sim, não há como duvidar de que a coisa é, realmente, muito séria.
Sinais de que algo ruim se aproxima.
Ao ver o trailer do aguardadíssimo novo filme do indiano M Night Shyamalan, intitulado “The Happening” (porcamente traduzido no Brasil como “Fim dos Tempos”, que estréia mundialmente em 13 de junho), embora sem dar idéia do que se trata o filme (a curiosidade é elevada ao extremo!), tem um fato curioso: Logo no começo, Elliot Moore (personagem vivido por Mark Wahlberg), professor de ciências, pergunta a seus alunos:
“- Não sei se alguns de vocês ouviram algo sobre este artigo no NY Times? Aparentemente, abelhas estão desaparecendo por todo o país. Aos milhares.
Vocês estão prestando atenção? Alguém sabe dizer porque isto está acontecendo? (pausa)
Ninguém? Hã?(pausa)
Ninguém tem idéia do que está acontecendo com as abelhas?”

O filme será o primeiro de Shyamalan com censura "R", apto nos EUA somente para maiores de 17 anos.
Até aí, nada demais. Apenas mais uma obra de ficção.
Após um tempo, me caiu em mãos através duma amiga a interessantíssima “Profecia Maia”, que prevê o “fim dos tempos” para o ano de 2012.
De acordo com ela, a Terra passa, naturalmente, a cada 5 mil anos, por uma renovação, o começo de um novo ciclo. Esse fim de ciclo começou em 1988 e acabará em 2012. Alguns estudiosos interpretam isso de forma catastrófica, onde colapsos climáticos irão abalar o planeta de todas as formas, invertendo os pólos e mudando o eixo do Planeta, alterando toda a forma de vida na Terra como ela é hoje. Talvez até mesmo extinguindo-a.
Esta teoria é similar ao descrito no Apocalipse, da Bíblia.
Outros dizem que será o fim da civilização como hoje a conhecemos. A humanidade dará início a um período de regeneração, com o surgimento de tecnologias não-materialistas e ecologicamente harmônicas.
Mas pra isso, uma das propostas seria a alteração do calendário gregoriano pelo lunar. O calendário gregoriano constitui uma freqüência de tempo artificial que seria a responsável pela alienação do homem da natureza e pela criação de uma civilização materialista dominada pelo dinheiro e pelas máquinas.
A mudança de calendário redirecionará a humanidade para a freqüência de tempo da natureza, que é representada pelo biologicamente preciso calendário de 28 dias e 13 luas. De fato, a proposta é adequada ao ciclo lunar, pois cada ano solar possui 13 luas e dura em média 28 dias.
Assim sendo, ao contrário da crença corrente, a mulher não fica grávida por nove meses e sim por nove luas. Soa poético até.
Loucura? Não sei, mas sejamos francos e pensemos no ano Bissexto. A cada quatro anos é acrescentado um dia a mais no mês de fevereiro, para que nosso “tempo” esteja de acordo com o ciclo Solar. No popular, é uma “gambiarra”.
No calendário Maia, por sua vez, não há indícios de que era necessária uma emenda, um esparadrapo nos dias para que o ciclo terrestre permanecesse em precisa sincronia com o ciclo do Sol.
Isso é, no mínimo, curioso, diz aí!
Até aí as coisas ainda estava solitárias, sem ligação uma com a outra.
Até que, um dia, vendo a palestra duma engenheira química, não sei por que cargas d’água, ela comentou algo sobre as abelhas e fez um parênteses, saindo da pauta, dizendo que elas estavam, realmente, sumindo.
Sumindo? É! Su-min-do! Desaparecendo! Escafedendo-se sem deixar vestígios! Milhares delas.
Pesquisando, descobri que cerca de 20% de TODOS os enxames americanos simplesmente desapareceram num espaço curtíssimo de tempo. O fenômeno ganhou o nome de Colony Collapse Disorder – ou Desordem e Colapso da Colônia.
Na Califórnia, entre 30% e 60% das abelhas simplesmente, sumiram. Em algumas regiões da costa leste dos EUA e do Texas, esse índice chegou a absurdos 70%. Segundo o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA), o fenômeno foi registrado em 42 estados norte-americanos e duas províncias canadenses. A USDA ainda divulgou que o número de colméias hoje nos EUA (2,4 milhões) é 25% do que existia em 1980!
Em países como a Alemanha esse fato intriga cientistas e pesquisadores, e o mesmo ocorre em outros países europeus onde isso também está acontecendo.
O fenômeno pode causar graves desequilíbrios ambientais, uma vez que as abelhas são responsáveis por mais de 90% da polinização e, de forma direta ou indireta, por 65% dos alimentos consumidos pelos seres humanos. Alguns produtores já registram perdas de 25% na produção de mel.
O mais intrigante é que nenhum cientista, apicultor, profeta, cigano ou estudioso do assunto chega a uma certeza científica sobre o que está acontecendo.
Algumas teorias surgidas são curiosas: Você saberia dizer, assim, na lata, qual é o único alimento que NUNCA apodrece em seu estado natural?
Vamos lá, pensa um pôco. Tem a ver com tudo o que aqui está sendo abordado. Hã? Hã?
É o mel!
Por conta disso, há quem diga que as abelhas não são deste planeta. Fruto duma mente onírica ou não, o fato de ser ele o ÚNICO alimento a não perecer faz dele um caso especial e repleto de mistérios.
Alguns dizem que elas não estão desaparecendo, estão apenas atendendo ao chamado divino e subindo aos céus, habitando o paraíso.
Outros defendem a idéia de que é por causa do popular Aquecimento Global. Tem quem aposte suas fichas nas torres de telefonia celular, que desorienta as abelhas. As lavouras transgênicas também estão entre os possíveis vilões apontados.
Recentemente esse inexplicável fenômeno foi detectado também aqui no Brasil, particularmente em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul, com indícios significativos.
São os sinais intuitivos, onde não pode ser encarado como mera superstição humana.
Mas, a que se presta este post, afinal?
Agora, pra fechar o ciclo e amarrar as pontas do novelo, falemos sobre o gênio:
É atribuído ao célebre físico Albert Einstein a frase: “Se as abelhas desaparecessem da face da Terra, o homem teria apenas mais quatro anos de vida”.
Numa outra coincidência bizarra, note a frase na lousa atrás do Elliot Moore, do filme “The Happening”, gentilmente cedida pela 20th Century Fox.
Consegue ler?
Einstein disse também que “Deus não joga dados”, portando a verdade é que.....hey! ôpa pérae! 4 anos? Ele disse, somente mais QUATRO anos?
Estamos em 2008...mais quatro anos...isso daria...hã...sobe um vai três mais cinco subtrai trinta e oito e será - voilá! ...2012!
Espera um pouco. Ano dois mil e doze? Essa data não me é estranha. Não é esse o ano que, de acordo com o Profecia Maia, o Planeta irá encerrar seu ciclo?
Caracas isso é realmente muito, muito estranho cê num acha?
A escrita deste post foi necessária por conta do espanto que tive ao juntar as peças do quebra-cabeça e chegar a essas estranhas e assustadoras coincidências.
Será mesmo o fim do mundo? O apocalipse? O “e agora José”?
Eu hein, dá licença que agora eu vou pendurar um galhinho de arruda atrás da orêia!
João - 2:42 PM

diz aí:

Terça-feira, Abril 01, 2008


O Retorno do Rei
(este post é continuação do anterior)
Olhei para avistar algum ninho, ou tentar estabelecer algum contato com os pais de Mac.
Pacientemente olhava pra cima, com ele nas mãos.
Após um tempo, avistei um bem-te-vi no alto da árvore. Incitei Mac a piar. Ele nada.
A idéia era ambos entrar em contato, e aí a coisa fluía de forma fácil. Assim era o que achava.
Coçava a barriga dele, fazia carinho na cabeça, falava ao pé douvido pra ele cantar. E ele nada.
Chegou outro bem-te-vi.
– Um casal!! Legal! – pensei.
E eram, mesmo, a cara do Mac.
Os pais começaram a piar, entre eles. Mac parecia um tanto assustado. A Afonso, nas manhãs das segundas-feiras, é um pandemônio. Aliás, que hora e dia aquilo não é?
Carros por todos os lados, poluição, fidido, fumaça, caminhão e muito mas muito barulho, o que prejudicava a comunicação entre as aves.
Mac estava agitado. Comecei a ficar impaciente também, e com torcicolo. Meu pescoço doía de tanto olhar pra cima.
Atraí muitos curiosos. Um mecânico que trabalha numa funilaria do outro lado se interessou, e de longe perguntou se era um passarinho. Fiz sinal de positivo com as mãos, ele retribuiu, riu e voltou a labuta.
Estava pensando em alguma outra alternativa, já que aquela parecia que não daria certo.
Um senhor atravessou a avenida e veio conversar comigo:
- Ele caiu é?
- Pois é, peguei ele ontem e to tentando devolvê-lo.
- Ontem é? Hum...e você mexe com passarinho?
- Eu não.
- Olha, eu acho que os pais dele não vão aceitar ele não, por causa do cheiro seu nele.
Cheirei meu sovaco por cima da camisa, e perguntei:
- E eu to fedendo por acaso?
- Não, não (riu). Quero dizer que ele vai ficar com o cheiro de outro animal impregnado nele, e os pais recusam o filhote quando isso acontece.
- Hum...então você está me chamando de animal, é isso?
- Olha rapaz – disse impaciente -, eu acho que isso não vai dar certo não. Isso aí é um bem-te-vi né?
- Aham.
- Faz o seguinte então, eu tenho experiência com passarinho, dá ele aqui pra mim que eu cuido dele.
- Ah é? Legal! mas pode deixar, obrigado.
O tiozinho malandro ficou meio sem jeito, enrolou mais um pouco ali, e quando ia embora disse:
- Tem certeza? É sua última chance, to indo embora.
- Vá com Deus!
Comecei e me preocupar. Que faria eu se aquela estratégia não desse certo?
Não tive outra escolha e, acredite, aquela foi a decisão mais difícil que tivera de tomar até aquele momento.
Empoleirei Mac novamente em meu dedo, e com cuidado levantei a mão próximo ao tronco da árvore.
Ele se equilibrava e apertava com força as garras contra mim. Abaixei minha cabeça e chacoalhei as mãos mas, pra minha nova surpresa, ele não voou! Mexi o dedo, meio disfarçando, porque, convenhamos, situaçãozinha esquisita essa.
Mas ele não dava pinta de que voaria, mesmo.
O coloquei novamente na palma da minha mão, e enquanto pensava no que fazer, fiquei a afagá-lo.
E assim ficamos um bom tempo. O ypê estava precisamente a um passo de distância minha, posto a frente.
Acariciava e pensava, pensava e acariciava e pensava no que fazer. O tempo urge – e nenhuma outra alternativa surgia em minha cabeça.
E de repente:
- Vupt!
Mac alça vôo das minhas mãos!
Mas ele foi de lado! Clap-clap-clap-clap-clap-clap-clap-clap-clap-clap atravessou a avenida e pimba! Parou num fio de alta tensão, logo acima da funilaria onde trabalha o funileiro curioso.
Achei uma burrice do Mac?
Sim.
Achei que ele escolheu o caminho mais difícil?
Sim.
Fiquei com vontade de dar-lhe umas palmadas?
Sim.
Mas diz o sábio ditado que o que não parece com o dono é roubado e o caminho mais fácil, geralmente, é o que leva pro lado errado.
Fui até embaixo de onde ele estava. Ele lá ficou, um bom tempo. Começou a pentear as penas com o bico, à vontade, mostrando autoconfiança e maturidade.
E não é que, dali a pouco, começou a cair uns pingos do céu novamente? Quando percebi, já estava me abrigando da chuva embaixo do mesmo curto toldo do dia anterior, e Mac começava a mostrar certo desconforto pela situação.
Deja-vú. > FalHa na MAtRiX Bip-BiP!
Ele olhava pra mim, e eu tentava gesticular para que ele fosse até a árvore. Fazia isso de forma disfarçada, o movimento ali era grande, que pensariam os humanos normais absortos pelo cotidiano dum maluco como eu?
Mac se encontrava de costas para a árvore, de frente pra mim. Mas quando a chuva começou a apertar, ele virou pra frente.
- Isso! Isso! – me empolguei discretamente.
E foi aí que aconteceu. Mac, após algumas ameaças, finalmente voou até a árvore! E que belo vôo!
Ele se camuflou espontaneamente entre as folhas do ypê. Fiquei mais um tempo o observando, esperando seus pais, que naquele momento não estavam em casa, voltarem para ver o que aconteceria.
Infelizmente o cotidiano racional e dogmático do homem não permite acompanhar singelas histórias como esta até o final – a não ser, é claro, quando fizerem um filme!
Mas aí, meus caros amigos, a verdadeira poesia da história é perdida.
Até hoje quando vejo um bem-te-vi imagino como está Mac. Ou quando ouço um piado bentevitesco, será Mac voltando para rever um velho amigo?
O final da história é aquilo o que prefiro acreditar. Espero ansioso um cartão postal trazida quem sabe por um de seus amigos, o pombo correio, com fotos dele e sua família.
Torço pra que Mac conte esta singela história também aos Macquinhos que virão e diga a eles que o bicho homem, senhor do universo umbigo, embora ignorante, traiçoeiro, mesquinho, perverso e egoísta, ainda pode se redimir de toda sua crueldade.
Boa sorte meu caro amigo!


João - 5:23 PM

diz aí:

Terça-feira, Março 25, 2008


Voa Mac, voa!
(este post é continuação do anterior)
Acordei, ou fui acordado, logo cedo. Cedinho. O cantar de Mac, comprovei, era de gente grande. Ou coisa que o valha.
Dentro de casa, onde o som ecoa pelo ambiente fechado, é homeramente mais eficaz que qualquer outro despertador já inventado.
Levantei e ele piava alto e se debatia no vidro da janela da cozinha por onde entrava a claridade. Alçou vôo e foi até a janela da sala. Um belo vôo, embora um tanto desajeitado. Percebi assim, que nosso querido amigo já estava apto a alcançar os céus.
Assim sendo, minhas opções aumentavam. Se antes a única era cuidar do bebê, considerava agora também a possibilidade de deixar nosso matuto amigo ir, livre como um pássaro.
Mantê-lo comigo era um risco. Poderia ser autuado de acordo com a Lei nº 5.197/67 de Proteção à Fauna ou Código de Caça que diz em seu Artigo 1º:
Os animais de quaisquer espécies, em qualquer fase do seu desenvolvimento e que vivem naturalmente fora do cativeiro, constituindo a fauna silvestre, bem como seus ninhos, abrigos e criadouros naturais são propriedades do Estado, sendo proibida a sua utilização, perseguição, destruição, caça ou apanha
O mais interessante é que eu estava fazendo isso pra seu bem. Não o capturei de seu habitat para privar-lhe da liberdade.
Se o carro o tivesse esmagado lá na ocasião onde o encontrei, seria autuado o cidadão?
É claro que não. Mac seria apenas uma mancha dissonante na verde grama.
Percebe a discrepância?
Debatia-se na janela e piava, piava, piava e pra ele parar eu falava. E ele, teimoso, nada.
Tentei ainda estabelecer um diálogo, mas foi impossível. Mac estava, de toda forma, querendo sair.
Acordo, ou quando sou acordado, de mau humor. E atire a primeira pedra quem não assim seria.
Minha casa fica um tanto longe de onde o achei. Bem longe aliás. Não me importei. O empoleirei em meu dedo indicador, abri a porta, vi o límpido horizonte, ergui o braço, respirei fundo e bradei:
- Vai Mac, vai!
Nada.
- Go Mac, go!
Nadica.
- Geh Mac, Geh! (em alemão)
Nada.
- Yoshi Mac, gamabarééééééééé!! (em japonês)
Para minha estupefata surpresa, ele não se moveu. Ao contrário, a cada chacoalhada minha, sentia apertar suas unhas de rapina cada vez mais forte em meu dedo.
A liberdade estava bem ali, ao alcance do bater das asas, mas ele não as movia!
Inseguro.
Voltei pra dentro de casa, fechei a porta e falei pra ele que, após o café, o levaria de volta.
Coloquei-o próximo a janela e sentei para degustar a primeira refeição do dia.
Ele ficou quietinho, me olhando com grande ar de curiosidade. Estávamos, finalmente, nos entendendo.
Ao virar pra passar a margarina no pão, ele voou e pousou no meu ombro esquerdo. Tomei um baita susto, mas não me importei. Ao contrário. O alimentei com um naco de pão e conversamos.
Falamos sobre as vicissitudes e surpresas que esta malogra vida, hora ou outra, nos prega.
Tem gente que fala com as plantas, que nem ouvido tem, oras!
Após terminar o café, o acomodei em minhas mãos e lá fomos nós, na jornada que devolveria nosso querido amigo para seu ambiente natural.
Caminhei com ele até o local onde o havia encontrado. Vi a árvore, belo e alto Ypê, que fica precisamente em frente ao McDonalds da Afonso Vergueiro (sim, daí o nome, pouco nobre, agree).
Parei embaixo da árvore, olhei para cima a procura de algum sinal – não, necessariamente, divino.
E o que houve a seguir é o capítulo final desta inusitada trilogia.

João - 12:58 AM

diz aí:

Domingo, Março 16, 2008


Meu amigo Mac
Esta estória deu-se início no domingo, dia 10/02/08. Corinthians jogava contra o Ituano, ganhava, o assistia duma lanchonete no Shopping Sorocaba.
No intervalo do primeiro pro segundo tempo, levantei e peguei o caminho da roça.
O tempo estava fechado, ameaçava um temporal, saí mas não cheguei ao meu destino. Não de imediato. O céu desabou. Corri e me abriguei num curto toldo, na Afonso Vergueiro, na mão oposta a do Shopping.
E que puta chuva!
CHUÁÁÁÁÁÁÁÁÁ!!!
Quando ela veio pela frente, como temia, fiquei ensopo.
Senti falta da máquina digital. Vi um saco preto cheio de lixo boiando pela rua, os carros parando, bueiros expelindo violentamente jatos d’agua, carros pela contramão e canteiro, motos arrastadas, a rua era um rio. Sem exagero. Ganharia qualquer concurso de fotografia.
Vi um contêiner azul navegando pelas ondas. O trânsito parou, intransitável. Nem os ônibus passavam. Caos total. Cenas dantescas.
Foi então que o ví.
Era pequeno, estava ensopo como eu, e com muita dificuldade tentava subir a guia e chegar até a ilha. Subiu e ali ficou, imóvel. Alguns dos carros que cortavam pelo canteiro quase o atropelaram, fazendo-me sentir aquela aflição característica quando presencio algo dessa natureza. E ele lá, incapaz de se mover.
Quando a chuva deu uma trégua, e eu ia embora. Parei. Pensei. Analisei. Repensei. Avaliei – e acabei voltando.
Sem resistência alguma, deixou-se que eu o pegasse e o trouxesse para casa.
Procurei uma caixa de sapatos, a forrei com jornal e o coloquei lá.
Ele, molhado e tremendo, quieto ficou. Coloquei água numa tampinha de refrigerante e pedaços de banana, e sentei em frente ao PC, no outro cômodo da casa.
Lembrou-me infância. Já fez isso? Tentar criar filhote de passarinho que cai do ninho? Pois bem.
Após algumas horas, piou. Olhei e lá estava ele, empoleirado na ponta da caixa, com o peito estufado, devidamente seco, e as suspeitas confirmadas: Era um esbelto filhote de Bem-te-vi.
Improvisei um outro poleiro, num cabide, onde ele bem ficou. Tive de alimentá-lo na boca, assim o fiz também para matar sua sede. Embora manhoso e relutante de começo, depois aceitou de bom grado e comeu bem. Piou várias vezes, chamado a mãe. É o que suspeito. Comecei a afagá-lo, ele piava. Depois de tempo, acostumou, e suspeito passou até a gostar. Seus olhos começaram a fechar, o pescoço encolher, a luz apaguei e ele, cansado, também. Dormiu.
Naveguei um pouco, e na escuridão da noite, me orientei pelas estrelas.
Após algumas horas, piou novamente.
Instintivamente fui lá, embora não seja mamãe. Água, banana e pão. Dormiu, logo fui também.
E então raiou-se o dia... (continua)
João - 6:56 PM

diz aí:

Segunda-feira, Março 03, 2008


Fuiiiiiiiiiimmmmmm!
Passamos por diversas fases nessa vida.
Quando moleque, na fase da formação e educação do intestino (acho), sua ebulição fazia com que eu, às vezes, expelisse gases em momentos inoportunos e sob a presença de quem, digamos, poderia ser poupado de tal situação.
- Ops! Foi mal ae, pessoal!
- Depois que fez, não adianta!
O tempo passou, a fase dos gases nobres também, mas esta frase, repetida quase que em todas as situações dessa natureza pela minha mãe, permanecia desconexa e sem sentido na minha cabeça.
Um dia, já adulto e disposto a esclarecer o enigma, cheguei pra ela e disse:
- Manhêêê, desculpa!
- Pelo que, meu filho?
- ARRRRROOOOTTTTOOOOO!
Apanhei e até hoje não entendo, mas também já nem faço muita questão.
Gígio da Lia é cronista e filho da mãe
João - 1:51 AM

diz aí:

Domingo, Fevereiro 10, 2008


why?
A morte é realmente um grande mistério. O maior, permita-me.
Mesmo os mais sábios homens que já passaram por este planeta têm e baseiam suas opiniões e crenças de acordo com os conhecimentos que adquiriram ao longo da (pois é!) vida.
Muitos dirão, com razão, que a vida é uma experiência mística, e que as opiniões, experiências e histórias vividas por aqui devem ser consideradas.
A religião cristã prega que Jesus ressuscitou. Depois de morto, foi visto andando sobre a água de corpo físico. Em algumas outras (entre elas o budismo) crê-se na reencarnação. Segundo elas, nosso espírito não morre, permanece latente e volta incontáveis vezes, até sermos evoluídos o suficiente para cumprirmos nosso papel na Terra.
Todas as privações que hoje passamos é para que, deste modo, despertemos algum sentimento importante para nosso aprendizado (humildade, altruísmo, amor, desapego, etc.) Mas o fato é que, ninguém ainda voltou de lá e disse: "Olha pessoal, é verdade mesmo. Morri, e tô aqui de novo. E lá é assim, assim, pebolim e passado."
Portanto, independente daquilo em que cada um acredita, a opinião é baseada em idéias não comprovadas.
“Mas você não precisa comprovar certas idéias para saber que elas existem!” – dirão, sabiamente, alguns.
O fato é que isso não muda nada.
O mais inusitado é que a morte é a única coisa certa nessa vida. Não coloquei “é a única coisa da qual temos certeza” porque isso não é verdade. Pelo menos não conscientemente.
Há um grande paradoxo aí, porque mesmo sendo a morte a única certeza na vida de qualquer ser vivo, ao mesmo tempo nos parece uma coisa tão distante, tão longínqua, localizada num futuro tão obscuro e abstrato que não paramos para pensar nisso um segundo qualquer.
Pensamos continuamente em seguir em frente, desbravar, como se nada pudesse interromper nosso destino (afinal ninguém pensa que o seu destino é curto). Pensamos no seminário que vamos apresentar amanhã na faculdade, praquele que estudamos tanto!, em pagar a conta, em estar com quem gostamos, no próximo encontro, em ir ao cinema ver o filme que há tanto temos esperado. Vivemos o presente, mas sempre com um dos passos no futuro.
O próprio fato de caminhar, já é, em si, apenas uma “fase” para se chegar ao lugar para qual estamos indo.
Pensando que somos normais e iguais neste ponto, alguém que morre repentinamente, sem prévio aviso, também estava vivendo o presente, mas cheio de planos para o daqui a pouco.
E é nisso que me pego pensando de vez em quando.
Esse é um assunto muito delicado da qual é complicado emendar todas as pontas do novelo, ficando ela assim desse jeito mesmo, feito peruca emaranhada.
A duas semanas o mundo do entretenimento se viu perplexo diante da morte repentina de um jovem ator de 28 anos, talentoso, sadio, e prestes a estrelar um dos filmes e divulgar uma das interpretações mais aguardadas do ano.
Segundo recente laudo, Heath Ledger morreu em decorrência de intoxicação aguda pelo efeito combinado de oxicodona, hidrocodona, diazepam, temazepam, alprazolam e doxilamina.
Em entrevistas posteriores à sua morte, amigos do ator afirmaram que ele lutava contra o vício em drogas e contra a depressão, esse último problema ocasionado em parte pelas pressões do seu último filme (Batman: The Dark Knight) e de sua separação da atriz Michelle Williams, com a qual tinha uma filha, Matilda.
Heath Ledger revelou semanas antes de falecer que durante a filmagem do seu personagem Coringa (do já citado Batman), ele se sentia muito esgotado, tanto física quanto emocionalmente, e que estava tomando pílulas para poder dormir.
Esse post fez-se necessário por conta do anterior, que foi publicado apenas 6 dias antes de sua morte, onde fui elogioso pelo que vi de sua interpretação visceral e doentia do sádico vilão e ainda pelo fato dele ser um dos “Bobs Dylans” do I´m Not There, filme que exerço peculiar curiosidade em assistir.
A Warner Bros agora revê a campanha publicitária de Batman - O Cavaleiro das Trevas, e os próximos trailers devem focar no que seria a grande “surpresa” do filme, o vilão Harvey Dent (Duas-Caras).
O motivo é óbvio, para não lucrar frente a tragédia e em respeito ao difícil momento vivido pelos familiares, amigos e fãs. Apesar de que agora certamente muitas outras pessoas deverão ir ao cinema assistir ao filme, seja ela admiradora do personagem em quadrinhos, ou seja pela mórbida curiosidade frente ao fascínio que a morte exerce diante de nós, impotentes telespectadores - e um dia, protagonistas - de seu imprevisível roteiro.
Ledger estava atualmente filmando The Imaginarium of Doctor Parnassus, o novo filme do cineasta Terry Gilliam (da trupe Monty Python e que já havia dirigido o ator em “Irmãos Grimm”).
R.I.P.


Heathcliff Andrew Ledger

(+) Perth, 4 de abril de 1979
(-) NY, 22 de janeiro de 2008

João - 8:11 PM

diz aí:

Quarta-feira, Janeiro 16, 2008


liStADoS
Final de ano é sempre a mesma história; hora de olhar pra trás e fazer um balanço de tudo o que aconteceu no ano anterior. De bom e de ruim.
Como um ciclo se fecha, é hora de zerar as coisas, e se preparar para começar outras. Por isso, é comum as tão batidas retrospectivas. E é impossível ficar imune a elas. Cada um, mesmo sem materializá-la, tem a sua listinha contendo o que de pior e melhor passou no ano anterior.
Refletindo, percebi que gosto muito de ler as alheias, porém acho um pé no saco fazê-la. É verdade. Na minha cabeça, é uma confusão infernal. Sempre acho que estou deixando passar algo, ou mudo a seqüência de tempo em tempo.
Mas desta vez não teve jeito. No entanto, optei por fazer algo diferente. A ordem em que a lista aparece não indica, necessariamente, preferência.
Ou seja, a primeira a aparecer NÃO é melhor do que a que vem a seguir, e assim por diante. Isso porque não gosto de comparar uma coisa com a outra. Um filme, por exemplo, deve ser admirado por si só, não tendo na cabeça a comparação com outros, pois cada um tem o seu próprio valor e evocam emoções distintas.
O que dizer então, de música? Se me perguntarem qual é a minha favorita hoje, certamente não é a mesma que fora ontem, nem deveras será a de amanhã.
Somos mutantes, e é assim o lúdico de ser.
Mais uma coisa que difere as listas unjobianas das demais é que os filmes citados como melhores, por exemplo, não necessariamente foram lançados em 2007. Foram sim marcantes para mim durante o ano. Essa é a minha lista oras bolas, nada mais justo.
Portanto, não estranhe se ver algo que nossos pais vibraram no cinema. Alguns eu apenas coloquei sem comentar, porque a coisa ia looooonge.
Boa viagem!

OS MAIS LEGAIS FILMES VISTOS
O Cheiro do Ralo – Selton Mello mais uma vez surpreende interpretando um sádico dono duma loja de penhores que entra em paranóia com o cheiro de merda que sobe do ralo do banheiro. Sua vida muda radicalmente quando ele apaixona-se perdidamente...por uma bunda.
Baseado na obra do Lorenzo Mutarelli, sensacional quadrinista brasileiro.
Carros – Mais uma vez, a Pixar consegue surpreender. Personagens apaixonantes, piadas no timmimg certo e a tão manjada “redenção final” do protagonista. Tudo bem, a gente se diverte mesmo assim. Destaque para a trilha sonora.
Tempos Modernos e O Grande Ditador – Ok, todo mundo já ouviu falar o quanto Sir. Charles Chaplin é importante para o cinema mundial, que ele é considerado um gênio e blá blá blá. Me atentei para isso e me dei conta de que NUNCA tinha visto um filme dele inteiro. Tipo “agora vou sentar, relaxar, e assistir a um filme do Carlitos”. Pensando nisso, o fiz. E agora tenho bagagem para dizer: Sim, o cara era um gênio. Capacidade impressionante de nos fazer refletir, e no minuto seguinte extrair gargalhadas incontíveis. Palmas pra ele!
A vida de Brian – Monthy Python – Famoso grupo de humor inglês dos anos 60, tinha como notório fã George Harrison e, por isso, muito já tinha ouvido falar. Eles foram percussores de um humor ácido, nonsense (o famoso “sem noção”) e inteligente que serve de referência para quem veio depois. Não é fácil digerir, nós tão acostumados a piadas prontas e embaladas. Lá, a coisa é mais....hum, peculiar. Daquelas que você pensa: “Não, eles não vão fazer isso”. E fazem!
Os Simpsons – o filme – Olha só, esse é surpresa até pra mim! Sinceramente, não tenho muita paciência para assistir a família mais amarela e famosa do mundo. Um belo dia, simplesmente, peguei asco pelo Homer, não suportava vê-lo na telinha da TV porque isso despertava em mim sentimentos maus, muito maus. Fui ver o filme meio sem querer, e acabei me surpreendendo. Além do tema que é o fio condutor da história ter me interessado profundamente, por conta disso, a classe inteira da faculdade foi ver o filme que depois virou tema de discussão em sala de aula. Palmas pela ousadia de Matt Groening! Só duas ressalvas: má aproveitamento dos coadjuvantes na história e, que diabos aconteceu com o porco??
O Labirinto do Fauno – Conto de fadas macabro e violento que mistura suspense, aventura e seres mitológicos. Tudo isso ganha um tom sombrio e envolvente nas mãos do mexicano Guilhermo Del Toro, um dos diretores mais respeitados da atualidade (ele recusou a direção do blockbuster Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban) que aproveita para fazer uma crítica política a Guerra Civil Espanhola e a tirania do ditador Franco. O filme é todo falado em castelhano, o que por si já vale pela curiosidade em ver os seres fantásticos da película ablando em espanhol.

OS MAIS LEGAIS ÁLBUNS OUVIDOS
In Rainbows – Radiohead – Bem mais acessível do que os três álbuns anteriores da banda. Foi lançado primeiramente na internet, onde o fã podia pagar quanto achasse que o álbum valia ($0,00 era um valor). Ficou em primeiro lugar em número de downloads. Quase 2 meses depois, semana passada foi lançado o álbum “físico”, tradicional. Resultado? Primeiro lugar na parada inglesa e também na americana! O que alegam as gravadoras em prol da proibição dos downloads? De que isso prejudica a vendagem do álbum tradicional. Tom Yorke e sua trupe estão aí pra ensinar samba pro Tio Sam – e de quebra dando um passo que, certamente, gerará belos frutos futuros.
Prolonging the Magic – Cake – Bandinha californiana batuta. Sua canção mais conhecida é “You Never There”, que você mesmo tendo torcido o nariz, certamente já arregalou os ouvidos. É desse álbum, inclusive. Grata surpresa, linhas de baixo surpreendentes e melodias divertidas e bem trabalhadas.
Costello Music – The Fratellis – Trio escocês que faz um rock and roll competente, divertido e sem muitas frescuras. Além de todas essas qualidades, ainda tiveram a manha de mandar o David Beckham catar coquinho! jejejeje!
Vanguart – Vanguart – Banda folk de Cuiabá, MT. Pra quem assistiu o Som Brasil homenageando Raul Seixas, eles participaram fazendo versões únicas de “Medo da Chuva” e “Cowboy Fora da Lei”. O álbum de estréia homônimo saiu em julho passado, encartado na revista Outra Coisa, organizada pelo Lobão. Cantando em três idiomas (inglês, espanhol e português) conta com melodias marcantes, vocalizações bem trabalhadas, além da bela voz e carisma de seu vocalista, Hélio Flanders. Brasuca de qualidade!
My Favorite Worst Nightmare – Arctic Monkeys – Uma das bandas mais faladas atualmente. Assim como taxaram os Strokes, são eles os novos “salvadores do rock”. Sem se preocupar com esse tipo de coisa, e mais interessados em fazer música boa, lançaram em 2007 este que é o segundo álbum da banda.
Quando ouvi pela primeira vez, confesso, não me agradou. A voz do vocalista Alex Turner está ainda em formação, devida a sua pouca idade. Mas depois, dando uma segunda chance e sem grande expectativa, a estranheza acabou dando lugar a admiração.
Infinito Particular – Marisa Monte – Ela fica anos sem lançar nada novo. Aí, do nada, lança uma pérola como esta – que na verdade é um disco duplo, o outro tbm ótimo é apenas de samba. Com lindas melodias, daquelas que te marcam para todo o sempre, conquistou com mérito lugar entre os destaques do ano.

AS MÚSICAS MAIS BACANAS OUVIDAS
Fluorescente AdolescenteArctic Monkeys
The Salmon Dance The Chemical Brothers
FlatheadThe Fratellis
Umbrella - Rihanna
Into the IceVanguart
Grace Kelly Mika
Knights of CydoniaMuse

OS SHOWS MAIS LEGAIS IDOS
Cordel do Fogo Encantado
Jards Macalé e Lenny Godin
Beatles 4ever
Ultrage a Rigor
Zé Ramalho

OS MAIS LEGAIS JOGOS JOGADOS
Guitar Hero (1, 2 e 3)
Resident Evil 4
Silent Hill 3
Metal Gear 3
Ps* isso tudo seria completamente diferente se eu tivesse ganho um Wii do Papai Noel.

OS MAIS LEGAIS LIVROS LIDOS
Cem Anos de Solidão – Gabriel Garcia Marquez
O Processo – Franz Kafka
O Senhor das Moscas – Willian Goldwin
Purgatório (a verdadeira história de Dante e Beatriz) – Mário Prata
O Lobo da Estepe – Hermman Hesse


OS PEORES CONTATOS IMEDIATOS
Tropa de Elite
NXZero
O Monge e o Executivo (livro)
O Segredo (filme)
O Homem Aranha 3

AS MAIS ESPERADAS PRA 2008

FILMES
Cloverfield – O que acontece ao misturar A Bruxa de Blair e Godzilla, bater no liquidificador e acrescentar ainda uma pitada de Lost? Que será que será? É o que vamos descobrir em 03 de fevereiro.
Dark Knight – Cristian Bale volta a vestir a capa do homem morcego, dessa vez enfrentando o arqui inimigo Coringa, interpretado visceralmente (veja o trailer!) por Heath Ledger. Apesar do nome, o filme não é baseado na lendária HQ de Frank Miller, que mudou a perspectiva das histórias em quadrinhos. Mais uma vez dirigido por Cris Nolan . Estréia em 18 de julho.
Blindness – O diretor brasileiro Fernando Meirelles (dos excelentes Cidade de Deus e O Jardineiro Fiel) adapta esta que é considerada uma dos melhores livros do escritor José Saramago. Com Juliane Moore e Alice Braga no elenco. Estréia em setembro. Veja o blog da produção aqui.
The Happening – Novo filme do diretor/escritor/produtor e ator indiano M. Night Shyamalan (Sexto Sentido, Corpo Fechado, Sinais). O mundo está sendo assolado por estranhos fenônemos climáticos, e .....hã....não sei, desse cara nada é o que se parece. Com John Leguizano e Mark Wahlberg. Estréia em 13 de junho.
I´m Not There – Filme baseado em fatos reais. fictícios, imaginários, intencionalmente inventados e etc etc etc sobre a obra e vida de Bob Dylan. Com vários atores interpretando o próprio, inclusive a atriz Cate Blanchet, que ganhou o globo de Ouro pelo papel. Um dos mais esperados por este que vos escreve. Só não sei a data de estréia.
Hellboy 2 – The Golden Army – Mais uma vez o herói do inferno volta a defender o mundo dos humanos de seres fantásticos. Baseado na obra de Mike Mignola. E mais uma vez dirigida pelas mãos do visionário diretor Guilhermo Del Toro. Estréia em 5 de setembro.
Indiana Jones e o Templo da Caveira de Cristal – Sim, o arqueólogo mais famoso do cinema está de volta! Harrison Ford volta a vestir o chapéu e o chicote que tornaram o Dr. Jones tão célebre. Dessa vez ele conta com a ajuda de Shia LeBeauf, ator que vem ganhando destaque por suas atuações em filmes como Constantine e Transformers. A cadeira de diretor é novamente assumida por Steven Spielberg, precisa de mais? Estréia em 22 de maio.
Dragon Ball Z – Filme baseado no famoso anime/mangá japonês que mostra as aventuras de Goku e seus amigos a procura das sete esferas do Dragão. Lutas e poderes estelares além de muita diversão. O filme será dirigido por James Wong – que escreveu alguns episódios da série Arquivo X – e dirigiu o primeiro e terceiro Premonição. A produção está a cargo de Stephen Chow (da pérola Kung Fusão), que já é motivo para deixar uma expectativa interessante. Estréia em 15 de agosto.
Speed Racer – Baseado em anime das antigas (minha mãe gostava de assistir!), nova empreitada dos irmãos Wachowski (trilogia Matrix, V de Vingança) como diretores. O filme promete inovações gráficas (como a técnica de que tudo fica num mesmo plano, em foco, como num desenho) e cenas recheadas de ação. Estréia em 9 de maio.
Be Kind, Rewind – O diretor francês Michel Gondry (que dirigiu clips de Bjork, Massive Attack, White Stripes, Paul McCartney entre outros - e diversos filmes, entre eles o fabuloso “Brilho eterno de uma mente sem lembranças”) vem com esse, de premissa inusitada e interessante. Com Jack Black e Danny Glover no elenco, o que reforça a já grande expectativa. Veja o hilário trailer!
Fast Food Nation – próximo filme do underground diretor Richard Linklater (Antes do pôr do Sol, Escola de Rock, Waking Life) numa crítica a sociedade consumista americana. A verdade é duro de engolir. Misto de documentário e filme convencional. Para poucos, e de estômago forte! Provavelmente só chafurdando em DVD.
Sweeney Todd: O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet - Adaptação de famoso (só se for por aquelas bandas, pq eu nunca tinha ouvido falar) musical, mais nova empreitada da bem sucedida parceria entre o imprevisível e sombrio diretor Tim Burton e um dos melhores atores da atualidade, Johnny Depp. Depp é um barbeiro vingativo que assassina seus clientes e transforma-os em deliciosas tortas. Batuta né? Levou o Globo de Ouro de melhor filme comédia/musical e Depp de melhor ator. Estréia em não sei quando.

ÁLBUM
“A Volta Dos Que Não Foram” – Los Hermanos
Ta, é clichê. Mas foi a primeira vez que a idéia faz jus ao título.

Além disso, é claro, muitas surpresas que surgirão pelo caminho, sem prévia expectativa.
Espero que tenha gostado, porque deu um trabalho danado!
Dicas, sugestões, esqueci algo? Diz aí.

João - 2:37 PM

diz aí:

Sexta-feira, Dezembro 28, 2007


rengue


A flor que ilustra esse post é a FLOR DE LÓTUS (Nelimbonaceae nucifera).
E porque ela? - você se pergunta.
Não poderia ser uma qualquer?
Não!
Uma tulipa?
Não!
Uma rosa talvez?
Não!
Uma....uma....uma....
Não não e não!
Aqui vai algumas curiosidades sobre esta misteriosa e enigmática flor, e porque temque ser ela a ilustrar o último artigo do EA do ano:
Ela é a única planta que frutifica e floresce simultaneamente, e por isso ela é, na religião budista e hindú, considerada o símbolo da simultaneidade da lei de causa e efeito - quando você faz a causa, no mesmo instante, de forma imediata, o efeito será “plantado” no Universo.
Ela nasce e cresce somente em lagos pantanosos, e quanto mais lodo ele tiver, mais bela ela florescerá, simbolizando que, quanto maior a dificuldade enfrentada pelas pessoas, maior será o júbilo alcançado.
Tal como a flor do lótus cresce da escuridão do lodo para a superfície da água, abrindo sua flor somente após ter-se erguido através da superfície, ficando além da terra e da água que a nutriram - do mesmo modo a mente, nascida no corpo humano, expande suas verdadeiras qualidades após ter-se erguido dos fluídos turvos da paixão e da ignorância, e transforma o poder tenebroso da profundidade na sabedoria infinita da consciência iluminada.
Daí o significado da palavra "Buda", que quer dizer literalmente “o Iluminado” ou “Aquele que despertou”.
A semente da iluminação está sempre presente no mundo, assim os iluminados (alguém aí tá lembrando do Neo??) surgem no presente ciclo e poderão surgir em futuros, enquanto houver condições adequadas para vida orgânica e consciente.
Mas os mistérios da flor de lótus transcende o âmbito espiritual e seu fascínio atinge também os estudiosos de botânica. Há muito tempo que estes especialistas tentam desvendar alguns enigmas que a planta segreda. Pesquisadores da universidade de Adelaide na Austrália, por exemplo, estudam uma estranha característica da flor: assim como os seres humanos, ela é capaz de manter sua temperatura em torno de 35 graus.
Alguns biólogos já conheciam plantas que emitem calor durante a abertura de suas pétalas, mas manter a temperatura, assim como os mamíferos, é algo que apenas a flor de lótus – das até hoje catalogadas – tem a capacidade de fazer. Cada botão da lótus libera 1 watt de energia, ou seja, se você tiver 60 florzinhas dessas consegue energia para ligar uma lâmpada de 60 watts!!
Esse sistema de auto-regulação de calor, compreensível em organismos complexos, continua inexplicável para a ciência.
Ainda outros cientistas do instituto botânico da universidade de Bonn, na Alemanha, estudam outra curiosidade do lótus: suas folhas são auto-limpantes, isto é, têm a propriedade de repelir microrganismos e poeiras.
Ela é auto-limpante porque é coberta por milhares de poros microscópicos, e é essa porosidade que impede que a sujeira se acumule, sendo facilmente carregada pela chuva, pois nem a água adere à sua superfície. Os pingos unem-se e rolam como gotas de mercúrio (quem nunca brincou de quebrar o termômetro e brincar com o metal líquido? Não brincou? Sorte sua! Porque o mercúrio é extremamente tóxico e não é expelido pelo corpo de forma natural!!), levando toda a sujeira que esteja por lá.
Como pudemos observar, a ciência e a religião (mais precisamente as de pensamento oriental) embora com diferentes fins e meios, concordam, mesmo sem se darem conta, de que essa peculiar planta não é como uma qualquer. Assim como o cosmos, a origem do Universo, as menores partículas da Terra, uma hora a ciência e a religião acabam se encontrando, criando teorias sólidas e concretas.
E o maior mistério a ser desvendado ainda...somos nós mesmos! não somos iguais, e nem tão pouco diferentes um ao outro, e estamos aqui por um motivo da qual não compreendemos em sua totalidade.
A flor do post está em broto ainda, mas prestes a florir. Que simbolize as ações feitas durante este ano, que irão desabrochar no vindouro!
Desejo a todos um ano de muita sabedoria, realizações e conquistas!
Obrigado pela companhia neste pequeno trecho da caminhada desta longa estrada da vida!
João - 2:31 PM

diz aí:

Sexta-feira, Dezembro 07, 2007


salve o Corinthians!

Como bem sabes, sou corinthiano. Mas saudoso, do tempo em que ainda era gostoso e sadio torcer, independente do resultado do jogo. O que valia era a emoção, a vontade do jogador em disputar cada bola, acreditar em cada lance. E hoje o que temos? Uma sucessão de escândalos (juízes corrompidos, jogos arranjados, patrocínios fantasmas) além da óbvia idas e vindas dos jogadores, migrando pra fora do país na busca única em enriquecer rapidamente, acumular moeda estrangeira e estampar a capa do próximo Winning Eleven.
Algumas personalidades que em mim deixaram profundas boas lembranças corintianas:
O Ronaldo, goleiraço! e bravo! que às vezes enchia o saco, mas tava lá quando era preciso. Virou cantor de rock (boa a banda até!), e agora comenta e mete o bedelho nos jogos, que é o futuro de todo jogador famoso do passado.
O Tupãzinho, que foi autor do gol que deu o primeiro título de campeão brasileiro ao Corinthians, contra o favorito São Paulo, de carrinho, em 1990. O Wilson Mano, o Marcelo (competente zagueiro), o Guinei (ponta que saiu do São Bento de Sorocaba, irmão do Dinei...ou vive-versa), o Viola e a histórica imitação de porco quando fez o gol no primeiro jogo da final do Campeonato Paulista de 1993 contra o Palmeiras (depois o Corinthians levou um saco de 4 a 1, e perdeu o título). Mais recentemente o Marcelinho Carioca, com aquele gol espetacular onde ele chapéla o zagueiro de chaleira e chuta no canto, deslocando o Edinho, filho do Pelé, que depois virou traficante. O Dida, que pegou dois pênaltis do Raí no mesmo jogo, fazendo o bom moço perder a compostura e deixar os cravos da chuteira na coxa do herói corintiano, mas não adiantou, o timão venceu por 3 a 2.
Mas nenhuma história supera a do maior herói, da minha geração, na minha modesta opinião, do que um senhorzinho baixinho, gordinho, canhoto, caipira, que batia falta como ninguém e fazia lindos gols de bicicleta! - detalhe para a história desse gol, nos coments!
Pra quem é corintiano já deve saber de quem falo. Mas ainda tem história.
Certa vez meu pai me deu uma camisa oficial da Kalunga (que patrocinou o Corinthians por muitos anos, e até hoje considero um dos mais belos uniformes) quando pequeno. Era a camisa 10, autografada por ele, que a usava, de quem eu era fã incondicional, e dizia assim:
“Ao futuro craque João,
um abraço!
Neto”

(compilação dos gols de falta, ao som de Led Zeppelin, alguns simplesmente impressionantes!!)
Sempre batia uma bola com ela, metido e orgulhoso, e modesta à parte, habilidoso também. Embora escreva com a direita, sou canhoto de pé (caprichos divinos, sacomé?).
Ou será era sorte por ela proporcionada? Era nada! Quando ela se desfez, muitos anos depois, a destreza futebolística não se esvaiu, pelo contrário, melhorou com o tempo.
Somente esse ano, numa conversa casual com um amigo da época, vim saber que o autógrafo era falso, fora feita pelo meu próprio pai, numa das mentiras mais bem contadas e eficientes da história da família!
Mas este post tem um objetivo, e não é vangloriar o passado (talvez um pouco, vá!), ao contrário - é pensar no futuro:
Publico no JAR, quinzenalmente, uma coluna chamada Educação Ambiental, que de quando em vez dá o ar da graça aqui no unjob, e sempre ao final tem uma piadinha infame, uma chiste sobre o conflito de “ser corintiano e torcer pelo verde”.
Agora ficou mais complexo, acrescido de novo dado, que infelizmente não pode ser ignorado. O Corinthians, pela primeira vez em quase um século de existência, vai disputar o Campeonato Brasileiro da 2ª divisão no ano que vem, jogando com times como Vila Nova e o ABC, de RN.
Quero então que vocês me ajudem a fritar os neurônios, e dêem sugestões de frases para que eu as use no próximo ano, durante o campeonato brasileiro.
As melhores serão publicadas, e cada um dos vencedores receberá inteiramente grátis um exemplar do jornal, com as respectivas frases fechando o raciocínio e descontraindo o artigo – que trata de questões sérias e preocupantes - desse que vos fala!
E aí, que acham da idéia? Botem a cabeça pra funcionar, e me escrevam seus cabeças de batata!
João - 10:33 AM

diz aí:

Sábado, Dezembro 01, 2007


Ideologia ou rebeldia - [ 25/11 ]
Punks sorocabanos indignam-se com violências gratuitas ocorridas em SPCruzeiro On Line
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Somos contra o governo repressor, a sociedade conformista e a desigualdade social, estas são nossas rebeldias, mas não somos violentos e repudiamos estes atos“, define o músico Gabriel Guarizzo, 21 anos, que há 9 anos é punk, chocado com os crimes ocorridos em São Paulo, por grupos que dizem ser punks. “Estes supostos punks cometem atos de violência por desconhecerem a nossa ideologia, descaracterizando assim o movimento”, comenta.

Leia mais no jornal Cruzeiro do Sul deste domingo
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Comentários
* Michele Rios Ribeiro [ 25/11/2007 ]
Infelizmente a maioria das pessoas é leiga sobre o movimento punk, que é pacifista e surgiu paa contestar a sociedade. Na minha opinião muitos dos causadores desses ataques também não conhecem esse movimento e o confundem com o movimento skin head, qué é bem diferente... Falta um espaço maior na mídia que divulgue a real ideologia punk, pacifista e contestadora, com fundamentos bem diferentes do que vem sendo divulgado, erroniamente, na mídia, o que prova a ignorância de muitas pessoas.

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