E não é uma gracinha?
Provavelmente muito de vocês já ouviram falar deste - na falta de um termo melhor – movimento, chamado Cansei.
Veio por conta de um incêndio, mas não passou duma biriba. Também o que esperar de um movimento "popular" formado por uma trupe que conta com Paulo Zottolo (Presidente da Phillips), D´Urso (Presidente da OAB/SP e Advogado dos Bispos da Renascer - que aliás vou comentar em breve, tô só esperando fedê mais um bucadinho) e João Dória Júnior (empresário abastado e, hã...sem comentários!) - só pra citar alguns.
Segue duas matérias sobre o assunto. Uma é a entrevista com as musas do movimento retirada deste blog - se vc gostar, visita urgente! - e a outra é um vídeo sobre a repercussão internacional causado pelo Cansei, que vim a ter conhecimento pelo amigo, companheiro e jornalista Marcos Ferraz - que tá fazendo uma falta danada nessa atual fase da faculdade!
Saudações recíprocas!
Enjoy!
Todos vocês já devem saber que nosso movimento tem quatro musas: Hebe Camargo, Regina Duarte, Ana Maria Braga e Ivete Sangalo. Alguns, provavelmente do povão invejoso, resolveram chamá-las de "Quatro Cavaleiros do Apocalipse".
Repudiamos esse tipo de apelido, bem como gostaríamos de esclarecer que não temos cavaleiros, mas sim uma amazona: Athina Onassis.
Nossas QUATRO MUSAS concederam uma entrevista coletiva, realizada na varanda da casa de João Dória Jr. na tarde do último sábado. Estavam presentes uns três jornais e duas revistas; publicações "de bairro" (Jardim Europa e adjacências, claro), o que reforça o caráter popular de nosso protesto.
Segue a entrevista:
Folha do Jardim Europa: O que fez com que vocês participassem do movimento?
Hebe - Eu achei bonitinho. E tem a ver com a minha luta histórica pela justiça e pela honestidade. Sempre fui defensora do Maluf. Agora é a vez de adotar novos ídolos.
Ivete Sangalo - O presidente da Philips, que é puro axé, me contratou para ser representante da marca no Brasil, e assim eu ganhei uma grana. E ganhar uma grana também é puro axé! Como foi ele que também organizou o "Cansei", achei razoável participar. E participar é axé, inclusive.
Ana Maria Braga - Todos sabem que, em 2006, fiz campanha para um candidato. Usei meu programa para as mais variadas peças publicitárias. Como eu perco em audiência até para o "Chaves" (o do SBT), ninguém deu bola. Foi por isso que entrei nessa, agora.
Regina Duarte - Eu tenho medo.
Gazeta Milionária: O que vocês acham do Cansei?
Hebe - Gosto muito. Eu tô cansada. Olha aqui meu pé (Hebe mostra duas empadinhas esbugalhadas que ela jura serem seus pés)! Estou cansada! Cansei!
Ivete Sangalo - Cansei é axé! Cansei é Bahia! Cansei é Pelourinho! Cansei é carnaval! Cansei é o agito da galera! Tira o pé do chão!
Ana Maria Braga - Eu gosto. Estou também cansada. Ontem mesmo tive que subir dois lances de escada e precisei parar no meio do caminho para tomar um ar.
Regina Duarte - Eu tenho medo.
Revista NewRich: Vocês acham que a fama de vocês, ainda mais todas juntas, vai colaborar com o movimento? Vai dar certo a tática de fazer a rapaziada de bocó?Hebe - Sim, claro. Eu ataco nas donas-de-casa. Tudo bem que meu público cativo já tem mais de 60 anos, mas mesmo assim eu consigo atingir uns dois ou três.
Ivete Sangalo - Eu sou a única realmente famosa aqui, né? (protestos gerais) Pô, é sério... Eu acho que o público jovem se identifica muito comigo. Vai ser ótimo fazer a cabeça dessa rapaziada. A lavagem cerebral tem que começar desde cedo, né? E viva a Bahia!
Ana Maria Braga - Eu tenho um programa diário na Globo e consigo ser a menos famosa de todas (ela recebe cafunés e carinhos diversos). Poxa, não é fácil. O "Chaves" ganha de mim! Eu perco do desenho do Pica-Pau! Até eu vejo o desenho do Pica-Pau! Mesmo assim, minhas três telespectadoras estão comigo!
Regina Duarte - Eu tenho medo.
Revista NegóciosEscusos: O que vocês estão ganhando com isso?
Hebe - Gostaria de ganhar mais uns anos de vida, mas aceitei minha parte em dinheiro, mesmo.
Ivete Sangalo - Eu acho que o importante é sambar, pular, mostrar a alegria do povo brasileiro e esse gingado maroto que cativa as multidões! E... Ah, quanto eu ganhei? Eu sou paga pela Philips do Brasil, que organiza o movimento.
Ana Maria Braga - Muita gente acha que eu quero ser a Hebe. Primeiro, por causa do envolvimento com escândalos diversos. Depois, por apoiar políticos corruptos. Agora, também por aceitar dinheiro. Eu faço tudo isso porque está no meu caráter, ok? Não imito a Hebe só por também levar uma grana.
Regina Duarte - Eu tenho medo.
Jornal da Philips Brasil: Vocês têm alguma mensagem para passar?
Hebe - Depois de "Vote em Maluf!", minha nova mensagem é "Cansei!"
Ivete Sangalo - Muito axé, muito nagô, muito ioruba, muito dinheiro da Philips e é isso aí. Cansei!
Ana Maria Braga - Eu estou indignada. Não dá para perceber por causa do botox. Cansei!
Regina Duarte - Eu tenho medo. Tenham medo!
Após a entrevista, servimos deliciosos canapés. Providenciamos, inclusive, uma criada para dar na boquinha de Regina Duarte, já que ela não consegue segurar guardanapos com a camisa-de-força. Mas Regina não comeu nada, pois tinha medo dos acepipes.
EgG - 11:57 PM
diz aí:
Sexta-feira, Agosto 17, 2007
Algumas considerações sobre a Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira
Vale lembrar algumas coisas aqui.
É uma medida provisória válida até o final deste ano, e o Governo quer que ela seja prorrogada até 2011.
Quando o PT chegou ao poder esse imposto já era cobrado. Foi criado pelo então ministro da saúde Adib Jatene em 1993, época do presidente Itamar Franco, pouco antes do reinado de Fernando Henrique Cardoso. Originalmente para ser revertido somente a área de saúde pública, hoje também é responsável por investimentos no Bolsa Família e Fundo de Combate à Pobreza.
Vamos imaginar o seguinte: Você é casado, ganha relativamente bem na empresa onde trabalha, tem três filhos pra criar e ama a sua esposa, que não trabalha fora. Nas horas vagas, as que não se dedica a família, faz, há muito tempo, um biscate. Não é muito, mas é essencial, pois a prestação do carro é exatamente o valor que recebe dele. Por algum motivo, você perde essa boquinha. O que você faz? As opções são correr atrás de outro trabalho para suprir a falta deste, ou tirar do seu salário "oficial" para tapar esse buraco. Sabemos que, quanto mais dinheiro se ganha, mais se gasta. Então sabemos também que esse dinheiro que tirará para pagar a prestação do carro, irá fazer falta em algum outro lugar (na prestação da escola das crianças, na reforma recente que fez na casa, na poupança para aquela viagem especial, enfim...).
Vejo a situação desta maneira, o Governo se acostumou com o dinheiro e não tá muito afim de ir atrás de outra alternativa para suprir sua falta.
Não mexendo no valor e não dividindo a responsabilidade dos gastos com os Estados e Municípios, o Governo assume a responsabilidade de empregar esse dinheiro da melhor maneira possível. E se isso não acontecer, terão de assumir a culpa sozinhos pela má administração do imposto do contribuinte.
Minha opinião é a de que a gente sempre arruma uma maneira de resolver um problema como esse. Só quando o calo aperta, lembramos em descalçar o sapato.
Como o caso do cara que foi despedido do trampo, pegou as quatro parcelas do seguro desemprego e lançou um livro chamado "Eu odeio o Orkut". Conclusão? O livro tá vendendo bem, e o cara tirou a sorte grande!
As situações que nos pegam no contrapé despertam em nós a capacidade de resolver os problemas com uma criatividade que não teríamos se elas não aparecessem sem aviso prévio.
Como diz o ditado, até um pé na bunda te faz andar pra frente!
Aqui vai o link para quem quiser assinar o abaixo assinado organizado pela Fiesp para que o imposto da CPMF seja extinto: http://www.contraacpmf.com.br/cpmf.asp
Já tem mais de 860 mil assinaturas. Lembrando que a um tempo atrás um abaixo assinado tava vagando pela net, sobre o aumento absurdo que os deputados estavam exigindo - um reajuste de mais de 90 % do já tão parco salário, alguém aí se lembra?. Pois é, e o reajuste acabou não acontecendo. Se através do abaixo assinado virtual ou não, isso eu já não sei. Mas vale a pena tentar.
O povo tem um poder muito maior do que imagina. O problema é ter o discernimento e saber exatamente pelo que ele está lutando. Coisa aliás, muito difícil de se achar nos dias atuais - ou talvez sempre fôra.
Um último comentário é que, embora a questão tenha se limitado ao aspecto político, vale lembrar que a reflexão de Frei Betto é aplicado também a outras situações de caráter humano.
EgG - 11:31 PM
diz aí:
Quinta-feira, Agosto 16, 2007
A raposa e os ovos
Era uma vez uma raposa que jurou dar proteção às galinhas. Postou-se à porta do galinheiro e, prometendo preparar para o futuro uma omelete que alimentaria a todos, tomou para si os ovos que, por medida de segurança, estavam distribuídos por diferentes cestas. Muitas galinhas não se importaram, acreditando que também os ovos dos gaviões haviam sido seqüestrados. Deixaram-se inclusive convencer de que a raposa havia cortado as asas dos gaviões. Estes, precavidos, guardaram seus ovos em outras montanhas e, se tinham cedido algumas penas, era para que todos pensassem que haviam perdido as asas.
Galinhas que não botavam muitos ovos - e, portanto, perderam pouco nas mãos da raposa - com o tempo começaram a ter que deixar o poleiro e a receber meia ração. Mas, convencidas de que não se faz uma imensa omelete sem quebrar muitos ovos, suportavam estoicamente as longas filas para recuperar uma migalha qualquer do que haviam produzido. Aos poucos, foram descobrindo quão difícil era botar mais ovos se não havia ração suficiente e nem poleiro onde se encostar.
A raposa, entretanto, continuou assegurando que tudo corria às mil maravilhas. Claro, para ela, que se havia transformado na poderosa galinha dos ovos de ouro, estava tudo bem, sobretudo depois que ela abriu as portas do galinheiro aos abutres de outras plagas. Estes conseguiram convencê-la de que podiam modernizar o galinheiro, torná-lo mais produtivo, inclusive introduzindo galinhas mecânicas, desde que as verdadeiras galinhas fossem privadas da omelete e virassem canja para o banquete entre a raposa, os gaviões e os abutres.
Naquelas mesmas paragens, há tempos um leitão exigira o sacrifício de todos os carneiros, sob o pretexto de que se estava assando um enorme bolo que, mais tarde, seria dividido e cada um receberia sua fatia. O bolo cresceu, o leitão comeu com seus amigos e a fome grassou entre os carneiros tosquiados, que passaram a viver de esperanças.
Toda a artimanha do leitão e da raposa consistia em não permitir que carneiros e galinhas descobrissem que, unidos, podiam governar a si mesmos, livrando-se de leitões e de raposas. Pois ensina a sabedoria que sente frio aquele que entrega a lã a quem já está agasalhado e passa fome quem dá os ovos a quem sempre se fartou de omeletes.
Reflexão de Frei Betto.
EgG - 12:35 AM
diz aí:
Sexta-feira, Agosto 10, 2007
Have you seen the little piggies crawling in the dirt?
Não tenho frescuras para comer. Gosto de todo tipo de salada, curto bife arroz e feijão, frito um ovo e agradeço a Deus mais um prato de comida.
Por insistência e ocasião, fui certa vez a um banquete de mariscos: scargô, caviar (um novo, feito de girinos raríssimos), champanha, ovas daqui, desovas de lá, e mais uma infindável lista de iguarias igualmente suculentas.
Lá para o meio do jantar soube-se que era a primeira vez que eu provava tais pratos.
Um deles – que sentava na ponta da mesa e usava um impecável terno - perguntou-me:
- E ai rapaz, o que está achando?
- Muito bom! Tudo está ótimo!
- De qual você mais gostou?
- Hã...é...foi...foi...este daqui! – e apontei para uma meleca inodora e de aspecto rançoso que estava a minha frente.
- Ótima escolha! - todos se entreolharam e riram, aprovando em uníssono meu paladar aguçado.
- E de qual você não gostou?
- De nenhum! Imagina, todos ótimos!
- Não minta meu rapaz...
- Não minto, meu senhor.
- Mentes sim.
- Como sabes?
- Porque todos – eu disse TODOS – que provam desta farta mesa repleta dos mais finos pratos pela primeira vez ojeriza algum!
- Jura?
- Por este anel que me move!
- Sendo assim – suspirei – achei lula uma merda!
Todos explodiram em gargalhadas e, satisfeitos, brindaram suas taças:
- Tim-tim!
Ao chegar em casa, fiz um omelete.
Lembrando que, para isso, tive de quebrar os ovos.
Gígio da Lia, cronista e cozinheiro.