unjob



Terça-feira, Março 25, 2008


Voa Mac, voa!
(este post é continuação do anterior)
Acordei, ou fui acordado, logo cedo. Cedinho. O cantar de Mac, comprovei, era de gente grande. Ou coisa que o valha.
Dentro de casa, onde o som ecoa pelo ambiente fechado, é homeramente mais eficaz que qualquer outro despertador já inventado.
Levantei e ele piava alto e se debatia no vidro da janela da cozinha por onde entrava a claridade. Alçou vôo e foi até a janela da sala. Um belo vôo, embora um tanto desajeitado. Percebi assim, que nosso querido amigo já estava apto a alcançar os céus.
Assim sendo, minhas opções aumentavam. Se antes a única era cuidar do bebê, considerava agora também a possibilidade de deixar nosso matuto amigo ir, livre como um pássaro.
Mantê-lo comigo era um risco. Poderia ser preso de acordo com a Lei nº 5.197/67 de Proteção à Fauna ou Código de Caça que diz em seu Artigo 1º:
“Os animais de quaisquer espécies, em qualquer fase do seu desenvolvimento e que vivem naturalmente fora do cativeiro, constituindo a fauna silvestre, bem como seus ninhos, abrigos e criadouros naturais são propriedades do Estado, sendo proibida a sua utilização, perseguição, destruição, caça ou apanha”
O mais interessante é que eu estava fazendo isso pra seu bem. Não o capturei de seu habitat para privar-lhe da liberdade.
Se o carro o tivesse esmagado lá na ocasião onde o encontrei, seria autuado o cidadão?
É claro que não. Mac seria apenas uma mancha dissonante na verde grama.
Percebe a discrepância?
Debatia-se na janela e piava, piava, piava e pra ele parar eu falava. E ele, teimoso, nada.
Tentei ainda estabelecer um diálogo, mas foi impossível. Mac estava, de toda forma, querendo sair.
Acordo, ou quando sou acordado, de mau humor. E atire a primeira pedra quem não assim seria.
Minha casa fica um tanto longe de onde o achei. Bem longe aliás. Não me importei. O empoleirei em meu dedo indicador, abri a porta, vi o límpido horizonte, ergui o braço, respirei fundo e bradei:
- Vai Mac, vai!
Nada.
- Go Mac, go!
Nadica.
- Geh Mac, Geh! (em alemão)
Nada.
- Yoshi Mac, gamabarééééééééé!! (em japonês)
Para minha estupefata surpresa, ele não se moveu. Ao contrário, a cada chacoalhada minha, sentia apertar suas unhas de rapina cada vez mais forte em meu dedo.
A liberdade estava bem ali, ao alcance do bater das asas, mas ele não as movia!
Inseguro.
Voltei pra dentro de casa, fechei a porta e falei pra ele que, após o café, o levaria de volta.
Coloquei-o próximo a janela e sentei para degustar a primeira refeição do dia.
Ele ficou quietinho, me olhando com grande ar de curiosidade. Estávamos, finalmente, nos entendendo.
Ao virar pra passar a margarina no pão, ele voou e pousou no meu ombro esquerdo. Tomei um baita susto, mas não me importei. Ao contrário. O alimentei com um naco de pão e conversamos.
Falamos sobre as vicissitudes e surpresas que esta malogra vida, hora ou outra, nos prega.
Tem gente que fala com as plantas, que nem ouvido tem, oras!
Após terminar o café, o acomodei em minhas mãos e lá fomos nós, na jornada que devolveria nosso querido amigo para seu ambiente natural.
Caminhei com ele até o local onde o havia encontrado. Vi a árvore, belo e alto Ypê, que fica precisamente em frente ao McDonalds da Afonso Vergueiro (sim, daí o nome, pouco nobre, agree).
Parei embaixo da árvore, olhei para cima a procura de algum sinal – não, necessariamente, divino.
E o que houve a seguir é o capítulo final desta inusitada trilogia.

ANAGEA - 12:58 AM

diz aí:

Domingo, Março 16, 2008


Meu amigo Mac
Esta estória deu-se início no domingo, dia 10/02/08. Corinthians jogava contra o Ituano, ganhava, o assistia duma lanchonete no Shopping Sorocaba.
No intervalo do primeiro pro segundo tempo, levantei e peguei o caminho da roça.
O tempo estava fechado, ameaçava um temporal, saí mas não cheguei ao meu destino. Não de imediato. O céu desabou. Corri e me abriguei num curto toldo, na Afonso Vergueiro, na mão oposta a do Shopping.
E que puta chuva!
CHUÁÁÁÁÁÁÁÁÁ!!!
Quando ela veio pela frente, como temia, fiquei ensopo.
Senti falta da máquina digital. Vi um saco preto cheio de lixo boiando pela rua, os carros parando, bueiros expelindo violentamente jatos d’agua, carros pela contramão e canteiro, motos arrastadas, a rua era um rio. Sem exagero. Ganharia qualquer concurso de fotografia.
Vi um contêiner azul navegando pelas ondas. O trânsito parou, intransitável. Nem os ônibus passavam. Caos total. Cenas dantescas.
Foi então que o ví.
Era pequeno, estava ensopo como eu, e com muita dificuldade tentava subir a guia e chegar até a ilha. Subiu e ali ficou, imóvel. Alguns dos carros que cortavam pelo canteiro quase o atropelaram, fazendo-me sentir aquela aflição característica quando presencio algo dessa natureza. E ele lá, incapaz de se mover.
Quando a chuva deu uma trégua, e eu ia embora. Parei. Pensei. Analisei. Repensei. Avaliei – e acabei voltando.
Sem resistência alguma, deixou-se que eu o pegasse e o trouxesse para casa.
Procurei uma caixa de sapatos, a forrei com jornal e o coloquei lá.
Ele, molhado e tremendo, quieto ficou. Coloquei água numa tampinha de refrigerante e pedaços de banana, e sentei em frente ao PC, no outro cômodo da casa.
Lembrou-me infância. Já fez isso? Tentar criar filhote de passarinho que cai do ninho? Pois bem.
Após algumas horas, piou. Olhei e lá estava ele, empoleirado na ponta da caixa, com o peito estufado, devidamente seco, e as suspeitas confirmadas: Era um esbelto filhote de Bem-te-vi.
Improvisei um outro poleiro, num cabide, onde ele bem ficou. Tive de alimentá-lo na boca, assim o fiz também para matar sua sede. Embora manhoso e relutante de começo, depois aceitou de bom grado e comeu bem. Piou várias vezes, chamado a mãe. É o que suspeito. Comecei a afagá-lo, ele piava. Depois de tempo, acostumou, e suspeito passou até a gostar. Seus olhos começaram a fechar, o pescoço encolher, a luz apaguei e ele, cansado, também. Dormiu.
Naveguei um pouco, e na escuridão da noite, me orientei pelas estrelas.
Após algumas horas, piou novamente.
Instintivamente fui lá, embora não seja mamãe. Água, banana e pão. Dormiu, logo fui também.
E então raiou-se o dia... (continua)
ANAGEA - 6:56 PM

diz aí:

Segunda-feira, Março 03, 2008


Fuiiiiiiiiiimmmmmm!
Passamos por diversas fases nessa vida.
Quando moleque, na fase da formação e educação do intestino (acho), sua ebulição fazia com que eu, às vezes, expelisse gases em momentos inoportunos e sob a presença de quem, digamos, poderia ser poupado de tal situação.
- Ops! Foi mal ae, pessoal!
- Depois que fez, não adianta!
O tempo passou, a fase dos gases nobres também, mas esta frase, repetida quase que em todas as situações dessa natureza pela minha mãe, permanecia desconexa e sem sentido na minha cabeça.
Um dia, já adulto e disposto a esclarecer o enigma, cheguei pra ela e disse:
- Manhêêê, desculpa!
- Pelo que, meu filho?
- ARRRRROOOOTTTTOOOOO!
Apanhei e até hoje não entendo, mas também já nem faço muita questão.
Gígio da Lia é cronista e filho da mãe

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