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Terça-feira, Agosto 12, 2008


Conhecimento e Incerteza
Certa vez apresentava um seminário na Universidade com o tema “Conhecimento e Incerteza”, que vem de encontro à frase de Platão “tudo o que sei é que nada sei”.
Ou seria Sócrates?
Divaguei bastante sobre o assunto, como não poderia deixar de ser. É tão difícil a palavra ser tua, e quando a conseguimos, geralmente não aproveitamos a oportunidade de expor aquilo que realmente pensamos, por prudência mundana.
Foi pensando nisso que tentei aproveitar o espaço dado da melhor maneira possível.
Em meio ao seminário, várias palavras nobres e dignas de uma discussão mais aprofundada deram o ar da graça: Beatles, Jerry Lee Lewis e o Professor Aloprado, Steven Spielberg e seu Parque dos Dinossauros.
Sei que tem mais alguns, mas a minha memória não anda muito boa.
Uma das questões em pauta era sobre os malefícios do cigarro, descobertos recentemente.
Citei o exemplo da propaganda da Marlboro onde, se você já esqueceu, o cowboy sobre o cavalo galopava por uma paisagem inóspita, porém bela e de espírito aventureiro.
Morreu de câncer, o coitado.
Ao dar o exemplo, reproduzi – involuntariamente - a clássica cena onde ele parava, olhava o horizonte e dava uma tragada profunda e cheia de charme, ao mesmo tempo em que ouvia-se ao fundo a célebre frase:
VENHA PARA O MUNDO DE MARLBORO!
Enquanto eu fazia o movimento da ida e vinda do cigarro até a boca, com o olhar perdido no vazio (como se estivesse vendo as montanhas), alguém da sala fez um barulho reproduzindo uma tragada, acompanhada de duas tossidinhas:
- SHHHHHHHHHHUP!...COF! COF!
Já reparou como sempre tem um engraçadinho que faz isso? é incrível! Mas fiz a política da boa vizinhança, fingi que nada aconteceu e segui em frente.
Passou, minha apresentação terminara e voltei a sentar junto ao resto da classe para assistir as outras mais que viriam na seqüência. Foi eu encostar a bunda na cadeira e acomodar-me, o Guga – que sentado estava na fileira da frente – vira-se e, colocando a mão para abafar a voz, diz, um tanto exaltado:
- Cara o que foi aquilo que você fez?
- Eu? O quê?
- O movimento do cara fumando o cigarro!
- E dae?
- Velho, quem fuma cigarro fuma assim (e fez o movimento, onde o dito encontrava-se, supostamente, entre o indicador e o médio) e não assim (fez novamente uma mímica ilustrativa, mas agora o cigarro encontrava-se entre as extremidades do indicador e dedão, movimento esse que realmente, se não me falhe a memória, fora o que eu havia feito.)
E continuou:
- O que se fuma assim é maconha!
- Cara, que pála velho! Pára com isso! Será que mais alguém percebeu?
- Sei não. Você fuma?
- Hã...eu não...
Lembra da tossidinha irônica? Pois é, Guga fez de novo e virou pra frente, balançando a cabeça e rinnnnnnnndo feito o diabo.
Tudo culpa de como seguro o maldito cigarro...
Gígio da Lia é cronista e caretão

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