quem?
se atreve?
a me dizer?
As mudanças assustam. E é impossível falar sobre isso sem navegar pelo campo tecnológico. O PC (personal computer) veio para quebrar barreiras, e hoje ele é a vitrine principal da vertiginosa revolução que presencia a atual geração. Revolução esta popularmente chamada de “globalização”.
O AI 5 (ato insitucional nº 5), no dia 13 de dezembro deste ano, completou 40 anos de idade. Ele já morreu, é verdade, mas durou até dezembro de 1978.
1978?
Estranho dizer que, em menos de um ano após esta data, nascia este que vos escreve.
Fui concebido, podemos colocar desta forma, ainda em meio a ditadura militar.
Foi por pouco, muito pouco, que não vim ao mundo em meio ao caos e as trevas que assolaram o país naquela época.
As pessoas não podiam se reunir, já pensou que loucura? Duas pessoas batendo papo na rua era algo subversivo. Os estudantes tinham seus locais secretos, onde se reuniam para conversar e compartilhar conhecimento. O medo era algo constante e não tinha hora pra chegar. Sabiam, apenas, que estava na espreita.
Imaginar que tanto mudou de lá pra cá. Hoje temos a liberdade de dizer e saber o que acontece no mundo em questão de minutos - se tiver sorte, até em tempo real!
Pensando nisso me veio à tona algo que já me cutuca a cuca há certo tempo: Qual é o papel dum blog nisso tudo?
Antes de mais nada, uma revelação: O unjob foi criado já com atestado de óbito. Assim que ingressei na faculdade, largando o trabalho estável que tinha (fato este, aliás, responsável pelo nome), me veio a idéia de criar um local onde pudesse compartilhar tudo o que iria me ocorrer durante esta laboriosa fase de minha vida. Então, quando me formasse e este ciclo idem, seria o fim do unjob. Afinal estaria já ganhando milhões em dinheiro atuando na carreira escolhida que nem o nome do blog e nem seus posts fariam mais sentido.
O fato é que o blog se estendeu para muito além disso, tornando-se por mérito próprio uma parte importante de minha vida, membro cativante da família.
Minha curiosidade, elevada por alguns comentários feitos durante o ano, levou-me a contar os posts publicados neste período. No total foram 12, dando assim a média de 1 post ao mês. Isso levando em conta histórias como a do Mac, que foram uma trilogia.
Muito pouco! - alguns se atreverão a dizer! Mas vale lembrar que todas as histórias, artigos e crônicas postadas são inéditas, escritas por mim (exceto as colaborações do Gígio da Lia, que também só escreve pro unjob – por enquanto), o que faz dele um blog único.
No primeiro ano, os posts chegaram quase a 50. Mas lá estavam, mescladas as minhas histórias, notícias tiradas de outros lugares.
Qual destas duas maneiras é a correta?
A) Somente uma delas?
B) As duas?
C) Nenhuma?
D) Tanto faz?
E) Ui-ui-ui-ai-ai?
Eis a questão.
Hoje em dia, qualquer um pode ser o senhor da informação. Basta um clique, uma filmagem, presenciar algum fato e divulgá-lo na internet para que vire notícia, mas uma notícia limpa (pelo menos até agora), isento de máscaras e interesses por ibope, divulgada como veio ao mundo: nua e crua. É a democratização da informação, e isso é ótimo!
Recentemente algo inusitado aconteceu, colaborando ainda mais para inspirar-me a este post: Quatro garotos, que moram em Seattle, todos brasileiros, estavam a beber num bar após ver o show duma banda e de repente se deparam com o Rodrigo Amarante, que passava totalmente despercebido pelo local. Sua atual banda, a Little Joy (formada com Fabrízio Moretti, baterista dos Strokes) tocaria em seguida.
Se aproximaram e conversaram por cerca de meia hora com o músico, extraindo da boca do próprio que Los Hermanos volta ano que vem pra um show e, em seguida, entram em estúdio pra gravar o quinto álbum, sucessor do “4”.
Um dos garotos bateu uma foto e contou o ocorrido, assim como quem não quer nada, em seu blog pessoal.
Bomba! A notícia pipocou pela web e teve menção em conceituados sites como o da revista Rolling Stones, Omelete e outros.
Não é preciso mais ser jornalista para obter um furo de reportagem.
Muitos usam o espaço na internet como um diário. Na verdade acho que o blog surgiu até com esse intuito: ser um diário virtual.
Devo dizer, entretanto, que o unjob, se fosse usado como parâmetro para que soubessem como está minha vida, seria irrelevante. Tantos foram os momentos especiais, únicos, passados por mim este ano que sequer foram mencionados aqui (como as histórias da tartarugaquefugiuenquantoeudistraia, a do pulanolagoprasalvaropatopeloamordedeus, a do meunomenãoéveraporranenhuma e por aí vai...)
Coisas para se guardar no coração, em fotos e em comunhão com os especiais que estiveram ao meu lado? Sem dúvida. Mas sinto, porém, sendo injusto com os especiais daqui, que estão também em seus próprios caminhos, também repleto de pessoas únicas ao seu lado, mas que eu gostaria que soubessem como a vida tem-me sido tão generosa e acolhedora.
É claro que muitos foram os assuntos que abalaram o Brasil e o mundo que me indignaram e realmente mereciam comentários. Até ameacei escrever alguns, mas meu compromisso com outras coisas me fazia desistir. Se não vou conseguir fazer do jeito que quero, simplesmente não faço. É um sinal de respeito por você, também, que julgo espera sempre o melhor do que quer que seja.
Obrigado a todos que compartilharam e participaram das opiniões aqui postadas.
Afinal, qual é o papel de você, leitor, nisso tudo também?
Estamos no fim de mais um ano e essa é uma época, goste você ou não, de rever conceitos, aperfeiçoar o que deu certo e rever o que de errado aconteceu.
Que isso parta do fundo do coração de todos. E um ano repleto de realizações a você, querido leitor!
Ainda não sei o que será do unjob. Se ele cumprirá sua sentença única e irremediável, aquilo que é a marca do nosso estranho destino sobre a terra, aquele fato sem explicação que iguala tudo o que é vivo num só rebanho de condenados, e fazer como tudo o que é vivo: morrer, ou se vai continuar existindo, com outras idéias, histórias inéditas (que devo dizer ainda tenho muitas, algumas delas já escritas), uma ao mês ou na semana, ou se mudará de casa, migrará feito ave e fará ninho em outros ares?
Sei lá. O que sei é que penso em tudo o que escrevi e eles farão parte da mudança, isso é certo, só ainda não sei em qual direção.
A única coisa que sei é que estou féééééééééérias!! E sem a menor pressa...
Alguma outra idéia? Sugestão? Lote no Pax?
Até breve?!